Ibaneis desiste do Senado e embaralha o tabuleiro político do Distrito Federal

Grupo de Ibaneis vê com tristeza a desistência do ex-governador da disputa ao Senado, após dois mandatos consecutivos à frente do Palácio do Buriti.

A desistência do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), da disputa por uma vaga no Senado em 2026 provocou uma reviravolta no cenário político local e abriu uma nova fase de articulações entre os grupos que já se movimentam de olho nas eleições do próximo ano.

Ibaneis confirmou nesta semana que não será candidato ao Senado e afirmou que pretende se afastar da disputa eleitoral para cuidar da vida pessoal. A decisão encerra uma pré-campanha que vinha sendo desenhada desde sua saída do Palácio do Buriti, em março deste ano, quando deixou o comando do Governo do Distrito Federal para se colocar como nome competitivo na corrida por uma das duas cadeiras do DF no Senado.

A saída de Ibaneis do páreo tem peso político imediato. Ex-governador reeleito, com forte influência sobre a base governista e presença consolidada no MDB, ele era visto como um dos principais nomes do campo governista para a disputa de 2026. Até aqui, aparecia com competitividade nas pesquisas de intenção de voto para o Senado e, em diversos levantamentos, figurava como segundo nome mais lembrado pelo eleitorado do Distrito Federal, consolidando-se como um dos favoritos na disputa por uma das duas vagas.

Sem sua candidatura, o cenário muda de forma significativa e amplia a disputa por espaço entre aliados, partidos e lideranças que agora tentam ocupar o vácuo deixado por ele. Nos bastidores, a decisão também reforça o protagonismo da atual governadora Celina Leão, que assumiu o comando do GDF após a saída de Ibaneis e passa a ter ainda mais centralidade na construção da sucessão local.

A desistência também alimenta especulações sobre os reais motivos da decisão. Publicamente, Ibaneis disse que quer descansar e se dedicar à vida pessoal. No entanto, a leitura no meio político é de que a retirada do ex-governador ocorre em um momento de forte desgaste e de rearranjo delicado dentro da base conservadora do DF.

Além do impacto direto na corrida ao Senado, a decisão de Ibaneis deixa um efeito colateral importante sobre as eleições proporcionais e majoritárias de 2026. Pré-candidatos que vinham contando com o apoio político, estrutural e, sobretudo, financeiro do ex-governador agora se veem diante de um cenário de incerteza. Nos bastidores, a avaliação é de que muitos ficaram “com o prato na mão”, expressão usada por aliados para traduzir a frustração.

A ausência de Ibaneis no processo tende a dificultar a caminhada de diversos pré-candidatos ligados ao seu grupo político, especialmente aqueles com menor densidade eleitoral própria e que dependiam da força da articulação regional, da capacidade de investimento e do peso político do ex-governador para viabilizar suas campanhas. Sem esse amparo, a tendência é de enfraquecimento de candidaturas, revisão de estratégias e até desistências ao longo da pré-campanha.

Com isso, o jogo de 2026 no Distrito Federal fica ainda mais aberto. A definição de quem herdará o espólio político de Ibaneis, como a base governista será reorganizada e quais nomes ganharão musculatura a partir dessa nova configuração passa a ser uma das principais perguntas da política brasiliense neste momento.

Mais do que uma desistência individual, a saída de Ibaneis do Senado reposiciona forças, acelera negociações e redesenha o mapa eleitoral do Distrito Federal.

 

 

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