O lançamento da pré-campanha da governadora Celina Leão reuniu lideranças políticas, pré-candidatos e apoiadores do Progressistas no Distrito Federal, em um evento marcado pelo clima de mobilização partidária. Mas um episódio ocorrido durante os discursos acabou repercutindo além do encontro e movimentou os bastidores da política local.
A presidente do PP Mulheres no Distrito Federal, Natália Reis, foi vaiada enquanto fazia uso da palavra no evento. No dia seguinte, ela publicou um vídeo nas redes sociais em que comentou o episódio e transformou o ocorrido em uma reflexão sobre a participação feminina na política e a forma como mulheres ainda são tratadas dentro desses espaços.
Segundo Natália, o que mais a entristeceu não foram as vaias em si, mas o fato de elas terem partido, segundo sua percepção, de outras mulheres.
“Confesso uma coisa para vocês: o que mais me entristeceu não foi a pressão das vaias, mas foi saber que elas vieram justamente de mulheres”, afirmou.
Cor rosa e bastidores políticos
As vaias foram atribuídas, por pessoas que acompanharam o evento, a um grupo de mulheres que portava bandeiras cor-de-rosa — tonalidade associada, nos bastidores da política do DF, ao grupo político da deputada distrital Jaqueline Silva. No vídeo publicado após o evento, Natália não cita nomes, mas faz referência direta ao simbolismo da cor, em uma fala que rapidamente ganhou repercussão.
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“Também ouvi comentários por eu usar cor de rosa. Mas o rosa não pertence a ninguém. Ele faz parte da minha história. Meus empreendimentos são cor de rosa, meus projetos voltados para as mulheres são cor de rosa. Essa cor representa feminilidade, força e esperança”, declarou.
A frase acabou se tornando o trecho mais comentado da manifestação e foi interpretada por participantes do evento como uma resposta política sutil ao episódio vivido durante o lançamento da pré-campanha.
Natália diz que não quer atacar outras lideranças femininas
Apesar da repercussão, Natália fez questão de afirmar que sua fala não tem como objetivo atacar qualquer liderança feminina. No vídeo, ela reforça que mantém respeito por outras mulheres que atuam na política e que sua intenção foi apenas compartilhar um posicionamento diante do que aconteceu.
“Tenho grande carinho e respeito por todas as lideranças femininas. Não estou aqui para atacar ninguém”, afirmou.
Ao longo da publicação, a presidente do PP Mulheres também ampliou o debate e defendeu que a luta por mais espaço feminino na política precisa estar acompanhada de respeito, escuta e apoio mútuo entre as próprias mulheres.
“Como queremos conquistar mais espaço para as mulheres na política se ainda tentamos silenciar outras mulheres quando elas pegam o microfone?”
“O verdadeiro protagonismo feminino acontece quando uma mulher estende a mão para a outra”
Na avaliação de Natália, o protagonismo feminino não deve ser construído a partir da disputa ou da tentativa de enfraquecimento entre mulheres, mas sim com cooperação e fortalecimento coletivo. Foi justamente esse o tom adotado na parte final do vídeo, em que ela buscou transformar o episódio em uma mensagem mais ampla sobre convivência política e sororidade.
“O verdadeiro protagonismo feminino não acontece quando uma mulher tenta diminuir a outra. Ele acontece quando uma mulher estende a mão para que outra também cresça.”
Ao encerrar a manifestação, Natália afirmou que pretende responder ao episódio com “trabalho, respeito e resultados”, reafirmando o compromisso com a defesa da participação das mulheres na política.
Episódio acende debate sobre convivência e disputa entre mulheres na política do DF
Embora Natália não cite diretamente a deputada distrital Jaqueline Silva, a referência ao rosa chamou atenção justamente por ocorrer no dia seguinte ao episódio das vaias, em um ambiente já carregado de leituras políticas. Nos bastidores, o caso foi interpretado como um sinal de que, mesmo em eventos marcados pelo discurso de unidade, ainda há tensões e disputas que atravessam a participação feminina na política local.
Mais do que a repercussão imediata, o episódio recolocou em pauta um debate importante: como ampliar a presença das mulheres nos espaços de poder sem reproduzir dinâmicas de silenciamento, rivalidade e deslegitimação entre elas próprias.
No fim, foi uma frase simples mas carregada de simbolismo que resumiu o momento e acabou ecoando para além do evento:
“O rosa não pertence a ninguém.”
Assista o vídeo:
Por Cris Oliveira
Editora-chefe do Blog da Cris – Mulheres falando de Política
