Opções do Brasil para a próxima Copa têm meio-campo como foco

A Copa do Mundo de 2030 se aproxima, e após a sexta eliminação consecutiva e a pior campanha desde 1990, o futebol brasileiro volta suas atenções para os próximos quatro anos. A principal questão é: quem pode integrar a seleção?

Em uma coletiva de imprensa realizada nos Estados Unidos, após a derrota por 2 a 1 para a Noruega, o técnico Carlo Ancelotti reconheceu a necessidade de renovação, especialmente no meio-campo.

O setor não teve um desempenho unânime durante a Copa. Apesar de ter marcado um gol na vitória por 2 a 1 sobre o Japão, Casemiro foi alvo de críticas da torcida ao longo do torneio. Com 34 anos, ele terá 38 na próxima Copa. O jogador de linha mais velho convocado por Ancelotti foi o lateral Alex Sandro, de 35 anos.

Fabinho, que é o substituto imediato de Casemiro, completará 33 anos em outubro, o que significa que estará próximo dos 37 na Copa de 2030. O único jogador convocado por Ancelotti para o meio-campo que terá menos de 30 anos na próxima edição é Danilo Santos, que terá 29 anos. O volante, que seria o substituto natural do contundido Lucas Paquetá, foi preterido pelo atacante Gabriel Martinelli no jogo contra a Noruega.

“É evidente que, no meio-campo, acho que tem que sair jogadores de nível, jovens. Temos jovens no futebol brasileiro que podem estar na seleção no futuro”, afirmou Ancelotti no último domingo (5).

Opções para o meio-campo

Entre os nomes já convocados pelo técnico italiano, o mais jovem é Andrey Santos, do Chelsea (Inglaterra). O ex-jogador do Vasco, com 22 anos, terá 26 em 2030 e fez parte da pré-lista da Copa.

Outro volante jovem é André, de 24 anos, do Wolverhampton (Inglaterra). Campeão da Libertadores pelo Fluminense em 2023, ele foi cotado no início do ciclo para ser titular em 2026, mas perdeu espaço devido à má fase de seu clube, que foi rebaixado à segunda divisão inglesa.

João Gomes, de 25 anos, ex-Flamengo, também atua no Wolverhampton e é mais um da pré-lista. Lucas Beraldo, do Paris Saint-Germain (França), é outro nome a ser considerado. Embora tenha atuado como zagueiro no São Paulo, o jovem de 22 anos tem sido utilizado como volante pelo técnico Luís Enrique.

Da nova geração que ainda não teve oportunidades na seleção principal, alguns jogadores já são fundamentais em seus clubes no Campeonato Brasileiro. Exemplos incluem Bruno Bidon, volante de 21 anos do Corinthians; Martinelli, volante de 24 anos do Fluminense; e Gabriel Bontempo, meia de 21 anos do Santos.

Renovação nas laterais

Além do meio-campo, as laterais também foram alvo de críticas ao longo do ciclo de 2026. Após o corte de Wesley, que seria o titular na lateral direita, Ancelotti optou por convocar Éderson, um volante, em vez de outro lateral.

Na estreia contra Marrocos, que terminou em empate por 1 a 1, o treinador escalou Ibañez, um zagueiro. No segundo tempo, Danilo, que não é titular absoluto no Flamengo, entrou em campo, embora tenha jogado como lateral até 2018, quando passou para a zaga no Manchester City (Inglaterra).

Wesley, da Roma (Itália), deve continuar na seleção brasileira para o novo ciclo. O ex-jogador do Flamengo completará 23 anos em setembro e era a aposta de Ancelotti para a titularidade, já que Éder Militão, do Real Madrid (Espanha), está contundido. A intenção do técnico era utilizar Militão na lateral direita, e ele terá 32 anos em 2030.

Outro jogador que Ancelotti convocou para a lateral direita foi Vanderson, do Mônaco (França). O ex-lateral do Grêmio teve que ser cortado dos amistosos contra Coreia do Sul e Japão, em outubro de 2025, devido a uma lesão. Ele terá 29 anos na próxima Copa, um a mais que Vitinho, do Botafogo, que o substituiu na ocasião.

Yan Couto, do Borussia Dortmund (Alemanha), também ocupou o lugar de Vanderson em um corte anterior em 2023. Revelado no Coritiba, o jogador de 24 anos terá 28 anos no Mundial de 2030. Arthur, do Bayer Leverkusen (Alemanha), tem 23 anos e foi convocado pelo então técnico interino Ramon Menezes na primeira convocação do ciclo para 2026.

Na lateral esquerda, a renovação deve ser mais intensa, já que Alex Sandro e Douglas Santos terão idades avançadas (39 e 36 anos, respectivamente) no próximo Mundial. Os destaques da pré-lista incluem Kaiki Bruno, do Como (Itália), e Luciano Juba, do Bahia. Kaiki, de 23 anos, estreou pela seleção brasileira em março, enquanto Luciano, de 26 anos, ainda não jogou pela seleção principal.

Cuiabano, emprestado ao Vasco pelo Nottingham Forest (Inglaterra), tem 23 anos, assim como Kaiki Bruno. Abner Vinícius, do Lyon (França), tem 26 anos, assim como Luciano Juba. Souza, negociado pelo Santos com o Tottenham, é mais novo, com 20 anos, mas ainda precisa se firmar na Inglaterra.

Futuro da camisa 1

Após duas Copas com o mesmo trio de goleiros, a expectativa é que o Brasil tenha novos nomes para 2030. Weverton (38 anos) deve ceder espaço à nova geração, enquanto Alisson (33) e Ederson (32) devem continuar nas próximas convocações. O arqueiro do Liverpool (Inglaterra) é o mais valioso entre os brasileiros na posição, avaliado em 15 milhões de euros (cerca de R$ 88,5 milhões), segundo o site especializado Transfermarkt.

Cotado para ser a terceira opção de goleiro em 2026, Bento teve uma queda de desempenho no final do ciclo e foi superado por Weverton. Com 27 anos, o goleiro do Al-Nassr (Arábia Saudita), revelado no Athletico-PR, terá 31 em 2030 e pode retornar à seleção.

Outro que pode ter nova oportunidade é Hugo Souza, do Corinthians. O goleiro, que tem a mesma idade de Bento, gerou opiniões divergentes em sua estreia pela seleção, no amistoso contra o Japão, em outubro de 2025.

Carlos Miguel, do Palmeiras, também com 27 anos, ainda não teve chances na seleção, mas pode integrar o novo ciclo. Luiz Júnior, do Villarreal (Espanha), é o segundo goleiro mais valioso do Brasil no mercado internacional. Ele estreou profissionalmente em Portugal, no Paços de Ferreira, e aos 25 anos é titular regular do time espanhol.

Luiz Júnior tem a mesma idade e valor de mercado — 12 milhões de euros (cerca de R$ 70,8 milhões) — que Gabriel Brazão, do Santos, que chegou ao clube na Série B de 2024 após a lesão do então titular João Paulo. Na mesma competição, transmitida pela TV Brasil, também se destacou Pedro Morisco, do Coritiba, com 22 anos.

O que vem pela frente

O Brasil ainda não tem clareza sobre o processo de classificação para a Copa. Embora Portugal, Espanha e Marrocos sejam as sedes, três jogos da competição ocorrerão na Argentina, Paraguai e Uruguai, em uma homenagem ao centenário do evento, realizado pela primeira vez em 1930 no Uruguai.

Com isso, as três nações do continente estão garantidas no próximo Mundial, assim como os anfitriões originais. A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) ainda não anunciou se o formato das eliminatórias será mantido, com os países não classificados se enfrentando em dois turnos por três vagas diretas e uma na repescagem, ou se haverá mudanças.

A primeira data-Fifa após a Copa do Mundo será entre 21 de setembro e 6 de outubro. O Brasil tem dois amistosos contra a Austrália, ambos na casa do adversário. O primeiro ocorrerá em Townsville, no Queensland Country Bank Stadium, em 25 de setembro, e o segundo no Suncorp Stadium, em Brisbane, quatro dias depois.

Fonte: Agência Brasil

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