A trajetória vitoriosa de uma merendeira que hoje é gestora de uma escola pública do DF

História de Mírian Fiúza mostra como a educação pode transformar vidas dentro da própria unidade escolar

A educação pública do Distrito Federal transformou a vida de Mírian Fiuza Braga. Ex-merendeira e atualmente vice-diretora do Centro de Ensino Médio (CEM) 01 do Gama, a servidora construiu toda a trajetória profissional na Secretaria de Educação (SEEDF), unindo dedicação, estudo e vínculo com a comunidade escolar.

“Eu só sabia fazer comida de casa, mas depois que escutei minha mãe, fiz um cursinho e passei no concurso”

A história começou em 2005, quando Mírian ingressou na carreira de assistência à educação após aprovação em concurso público. Moradora do Gama e estudante da rede pública de ensino do DF durante toda a vida, ela atuava como auxiliar de cozinha no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 15 do Gama, onde ajudava diariamente na preparação da alimentação escolar para 1.050 estudantes.

Antes de chegar à rede pública de ensino, ela trabalhou como auxiliar de dentista, distribuidora de medicamentos, secretária e técnica em contabilidade. Anos depois, em 2012, foi aprovada em um novo concurso, desta vez para a carreira do magistério da SEEDF. 

“Eu só sabia fazer comida de casa, mas depois que escutei minha mãe, fiz um cursinho e passei no concurso”, relata. “Ela me deu esse ensinamento de que a gente pode começar por baixo. Nós precisamos aos poucos ir ocupando nossos espaços. Quando eu fui chamada, fiquei muito feliz! Sempre tive uma rede de apoio familiar muito importante na minha vida.”

“A maneira como ela me fazia sentir capaz de aprender e de ser o que eu quisesse fez com que eu desejasse levar isso para outras pessoas”

Mírian lembra que o cuidado com os estudantes sempre esteve presente em sua atuação profissional, independentemente da função exercida dentro da escola. “Quando eu era da merenda, buscava ser a melhor merendeira”, lembra.

“Colocava amor e respeito no que eu fazia”, conta. “Se eu fizesse um café para os professores, eu fazia com amor e respeito. Sempre atendi bem os alunos, sempre tive uma relação amistosa com eles. Os alunos se apegaram muito a mim, desde a época em que eu era da merenda.” 

Da cozinha à sala de aula

Bolsista do Programa Universidade para Todos (ProUni), Mírian cursou letras português/inglês e posteriormente se especializou em coordenação pedagógica pela Universidade de Brasília (UnB). Em 2018, passou a atuar como professora no CEM 01 do Gama, escola onde estudou na juventude. Já em 2023, assumiu a vice-direção da unidade escolar.

Hoje, divide o ambiente de trabalho com ex-alunos que tiveram sua trajetória inspirada por ela. “Eu a tinha como um exemplo de profissional que eu queria me tornar, pois a maneira como ela me fazia sentir capaz de aprender e de ser o que eu quisesse fez com que eu desejasse levar isso para outras pessoas”, conta Brenda Geovana Rocha, atualmente professora de inglês da escola. 

“Sempre soube da história dela, e é muito inspirador ouvir um testemunho de alguém que tinha a mesma realidade que a minha enquanto estudante”, enfatiza Brenda. “A empatia e a maneira como ela sempre acreditava no potencial das pessoas era o que eu mais gostava, então trabalhar ao lado da professora que me inspirou é um privilégio inenarrável.”

Além das funções na gestão escolar, Mírian lidera um grupo sobre comunicação não violenta. Atualmente, cursa psicologia para ampliar a atuação no acolhimento e no apoio emocional aos estudantes.

“Já passei por diversas situações de alunos que precisavam de apoio emocional, e eu, mesmo sendo professora, consegui dar um apoio”, afirma. “Já recebi tanta coisa… presentes, cartinhas de alunos, terço. Essa escola tem mais de 2.400 alunos, mais de 100 professores. Não é uma gestão fácil, a gente precisa resolver conflitos, ser proativo. Tem que ter iniciativa.”

*Com informações da Secretaria de Educação

Fonte: Agência Brasília

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