Leandro Grass passa Arruda na espontânea e assume o segundo lugar na corrida ao GDF

Pesquisa Exata OP mostra Celina Leão na liderança e revela mudança importante no tabuleiro da sucessão ao Buriti; entraves judiciais e dívida milionária seguem pesando contra Arruda

A nova pesquisa do instituto Exata OP sobre a disputa pelo Governo do Distrito Federal em 2026 trouxe um dado que mexe diretamente com o tabuleiro da sucessão ao Palácio do Buriti: no cenário espontâneo, o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT) ultrapassou o ex-governador José Roberto Arruda e assumiu a segunda colocação na corrida ao GDF.

No levantamento, em que o eleitor responde em quem pretende votar sem receber uma lista prévia de candidatos, Grass aparece com 8,4% das intenções de voto, enquanto Arruda registra 5,6%. À frente de ambos está a governadora Celina Leão (PP), que lidera com 16,8%.

A pesquisa espontânea é um dos termômetros mais importantes de uma pré-campanha. É ela que mede quem está, de fato, na memória do eleitor. E, nesse recorte, o resultado mostra que Leandro Grass, ao menos neste momento, conseguiu ocupar um espaço que até pouco tempo parecia naturalmente associado ao ex-governador Arruda.

Na prática, a pesquisa indica uma inversão de expectativa no campo da oposição e no grupo de nomes que tentam se viabilizar como alternativa à atual governadora. Grass aparece mais lembrado, mais competitivo e com mais presença no imaginário do que Arruda, que por anos foi tratado como um dos protagonistas naturais de qualquer disputa majoritária no Distrito Federal.

Depois dos três primeiros colocados, a pesquisa mostra Ricardo Cappelli com 2,5% das intenções de voto. Em seguida aparecem Kiko Caputo, com 1,2%, Ibaneis Rocha, com 1,1%, Izalci Lucas, com 0,6%, Rafael Prudente, com 0,5%, e Samara Mineiro, com 0,3%. Outros nomes somam 0,9%.

Ainda assim, o retrato atual aponta um movimento claro: Celina Leão mantém a liderança com folga, enquanto Leandro Grass cresce e ultrapassa Arruda justamente no cenário espontâneo, o mais simbólico do ponto de vista político. Não se trata apenas de um número. Trata-se de sinalização. E sinalização, em pré-campanha, vale muito.

No caso de Arruda, o resultado escancara um problema que seus aliados tentam contornar há meses: o peso do passado judicial sobre o presente eleitoral. Embora siga sendo um nome conhecido, com recall e base política própria, o ex-governador continua enfrentando obstáculos que travam sua recuperação junto ao eleitor. A inelegibilidade, os processos que marcaram sua trajetória e as dívidas com os cofres públicos  que, segundo levantamentos já divulgados, se aproximam de R$ 700 milhões funcionam como um freio permanente à sua tentativa de voltar ao centro da disputa.

Na pesquisa de rejeição para o Governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda aparece como o nome mais rejeitado entre os pré-candidatos, com 39,3% dos entrevistados afirmando que não votariam nele de maneira alguma. O índice coloca Arruda no topo da rejeição.

Esse passivo político, jurídico e financeiro ajuda a explicar por que Arruda, mesmo com toda a sua história e capacidade de articulação, aparece hoje atrás de Leandro Grass na lembrança espontânea do eleitor. Mais do que perder posição em uma pesquisa, Arruda vê crescer diante de si o risco de ficar preso a um teto eleitoral, enquanto outros nomes começam a ocupar o espaço da renovação e da oposição com mais competitividade.

A leitura política da pesquisa é direta: Celina lidera, Grass cresce e Arruda empaca. E, embora o volume de indecisos ainda mantenha a eleição completamente aberta, o levantamento da Exata OP já entrega um recado importante aos bastidores do DF: a corrida ao Buriti começou a mudar de desenho, e Leandro Grass passa a ocupar um lugar que, até pouco tempo, muitos apostavam estar reservado a Arruda.

Por Cris Oliveira
Blog da Cris – Mulheres falando de Política

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