Aluguel poderá ser descontado diretamente do salário, aposentadoria ou pensão; proposta segue para o Senado

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (12), o projeto que cria o aluguel consignado, modalidade que permite o desconto do aluguel residencial diretamente no salário, na aposentadoria ou na pensão do locatário.

O texto aprovado estabelece que trabalhadores da iniciativa privada, servidores públicos, aposentados e pensionistas poderão autorizar o desconto dos aluguéis e encargos da locação em folha de pagamento. O valor ficará limitado a 30% da remuneração disponível.

A medida está prevista no Projeto de Lei nº 462/2011, de autoria dos deputados Julio Lopes (PP-RJ) e Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). A proposta tramitava na Câmara havia cerca de 15 anos e agora seguirá para análise do Senado.

Como funcionará o aluguel consignado

A consignação em folha poderá ser utilizada como garantia do contrato de locação. Na prática, mediante autorização do inquilino, o valor do aluguel será descontado diretamente de sua remuneração e repassado ao locador.

A expectativa dos defensores da proposta é reduzir a inadimplência, aumentar a segurança dos proprietários e facilitar o acesso à moradia para pessoas que encontram dificuldades em apresentar fiador, seguro-fiança ou depósito caução.

O aluguel consignado, entretanto, ainda não está disponível. Para entrar em vigor, o projeto precisa ser aprovado pelo Senado e posteriormente sancionado pela Presidência da República.

FGTS fica fora da proposta

Durante a votação, os deputados retiraram do texto a possibilidade de utilização da conta vinculada do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia nos contratos de aluguel.

A retirada foi proposta pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF) e aceita pelo relator da matéria, Claudio Cajado (PP-BA).

Com a alteração, o saldo do FGTS continuará preservado para as finalidades previstas em lei, como aquisição da casa própria, aposentadoria e assistência ao trabalhador em situações específicas. A consignação direta na folha de pagamento, por outro lado, foi mantida.

Entidade prevê redução de custos

A Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI) estima que a modalidade poderá beneficiar até 20 milhões de brasileiros, especialmente pessoas com dificuldade de acesso às garantias tradicionalmente exigidas pelas imobiliárias.

Segundo estudos citados pela entidade, o aluguel consignado poderia gerar uma economia anual de aproximadamente R$ 4,5 bilhões e reduzir, em média, 4% do custo da locação.

A proposta também pode ampliar o número de imóveis disponíveis para aluguel, uma vez que o desconto em folha oferece maior previsibilidade de pagamento aos proprietários.

Apesar das expectativas positivas, especialistas alertam que o comprometimento mensal da renda deverá ser analisado com cuidado. Mesmo limitado a 30% da remuneração disponível, o desconto será uma despesa fixa e poderá afetar o orçamento familiar.

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