A campanha eleitoral ainda não começou oficialmente. As convenções partidárias nem aconteceram. As candidaturas seguem indefinidas. Mas quem acompanhou a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, na Câmara Legislativa, percebeu que a disputa pelo Palácio do Buriti já influencia o discurso político.
Não foi uma sessão sobre eleições. Foi uma sessão sobre orçamento. Ainda assim, governo e oposição aproveitaram o debate para apresentar narrativas que deverão ser repetidas durante toda a campanha de 2026.
De um lado, parlamentares da base defenderam a proposta como um instrumento de planejamento, equilíbrio fiscal e continuidade das políticas públicas conduzidas pelo Governo do Distrito Federal. Do outro, deputados da oposição concentraram as críticas nas prioridades de investimento e buscaram apresentar uma visão diferente sobre a aplicação dos recursos públicos.
É exatamente isso que faz da LDO uma das votações mais políticas do ano.
Embora seja um instrumento técnico, responsável por estabelecer as diretrizes para a elaboração do Orçamento de 2027, a LDO também traduz escolhas de governo. E toda escolha, na política, produz debate.
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A previsão de uma receita de R$ 74,97 bilhões e a aprovação de 278 emendas parlamentares mostram que o texto passou pelo crivo dos deputados e incorporou diferentes contribuições ao longo da tramitação. Mas o aspecto mais interessante talvez tenha sido outro: o orçamento deixou de ser apenas uma discussão contábil para se transformar em uma prévia dos temas que estarão presentes na eleição.
Saúde, educação, mobilidade, infraestrutura, responsabilidade fiscal e capacidade de investimento apareceram, direta ou indiretamente, nas intervenções dos parlamentares. São assuntos que dificilmente sairão do centro da campanha no próximo ano.
Quem pretende defender a continuidade da atual gestão buscará destacar resultados, equilíbrio das contas e execução de políticas públicas. Quem estiver na oposição deverá insistir em propostas alternativas e em prioridades diferentes para o uso dos recursos públicos. O roteiro começa a ser desenhado agora.
Por isso, a votação da LDO merece ser observada além dos números. Ela oferece um retrato de como os grupos políticos pretendem construir seus discursos para 2026.
O eleitor talvez ainda não esteja pensando na eleição. Os partidos, certamente, já estão.
E o orçamento acabou sendo um dos primeiros palcos dessa disputa.
