Nesta segunda-feira (18), mulheres atendidas pelo Nuiam de Vicente Pires participaram de um encontro na 38ª Delegacia de Polícia, com palestras e rodas de conversa sobre proteção, direitos e rede de apoio. A ação reuniu vítimas que passaram pelo atendimento da unidade e encontraram suporte para denunciar situações de violência doméstica e de gênero.
O núcleo realiza uma busca ativa de vítimas atendidas em delegacias da região, como Estrutural e Taguatinga, oferecendo acolhimento psicológico e jurídico após o registro da ocorrência. Caso a mulher aceite o acompanhamento, são feitos agendamentos para atendimento especializado no espaço.
Segundo a delegada responsável pelo Nuiam de Vicente Pires, Núbia Araújo Santos, o encontro promovido nesta semana teve como objetivo fortalecer as participantes por meio da troca de experiências.
“Muitas dessas mulheres acham que estão sozinhas, acham que isso só acontece com elas. Quando elas conseguem compartilhar essas vivências, acabam se fortalecendo umas nas outras”, explicou.
Ampliação da rede de proteção
Atualmente, o Distrito Federal conta com seis núcleos especializados, além de uma sala de acolhimento em Sobradinho. Somente em 2025, foram realizados mais de 2,5 mil atendimentos. Em 2026, já são mais de mil mulheres acolhidas entre registros de ocorrência, encaminhamentos e atendimentos psicossociais, em uma atuação integrada com outros órgãos do GDF.
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A delegada Karen Langkammer destacou que os núcleos foram criados para garantir um suporte mais acolhedor e reservado às vítimas.
“Foi um espaço pensado para que essa mulher tenha um atendimento diferenciado, com acolhimento psicossocial e jurídico, em um ambiente preparado para que ela consiga falar sobre as violências que sofreu sem ser revitimizada”, afirmou.
Os espaços contam com salas adaptadas e profissionais especializados para conduzir os atendimentos. Segundo a delegada, a ampliação da estrutura e das equipes contribuiu diretamente para o aumento dos atendimentos realizados pelos Nuiams.
Entre 2024 e 2025, houve crescimento de 130% no número de mulheres acolhidas pelos núcleos. Em 2023, foram 1.011 atendimentos; em 2024, 1.120; em 2025, 2.542; e, neste ano, até agora, já foram realizados 1.130 atendimentos.
“As mulheres não permanecem em relacionamentos violentos porque querem. Muitas vezes existe dependência financeira, emocional ou até medo, porque elas não têm rede de apoio. Os equipamentos públicos mostram para essa mulher que ela não está sozinha e que existe suporte depois da denúncia. O mais importante é olhar para essa mulher além do boletim de ocorrência e entender qual é a necessidade específica dela”, destacou Karen.
A coragem de romper o ciclo da violência
Uma das mulheres atendidas pelo núcleo, que terá a identidade preservada, contou que o acolhimento foi fundamental após a denúncia.
“Eu não queria chegar a esse ponto, nunca me imaginei numa delegacia. Mas o acolhimento é tão importante, porque é um momento em que a gente se sente sozinha e sem chão. Aqui há uma estrutura com pessoas super profissionais que nos ajudam a seguir em frente”, relatou.
Outra participante do encontro também destacou a importância do suporte recebido após romper um relacionamento abusivo.
“No atendimento, eles são bastante prestativos, além de termos apoio psicológico e jurídico. Hoje tenho uma segurança maior, porque eu tinha muito medo de dar seguimento à separação. Antigamente não havia essa estrutura, era um processo demorado. Hoje é imediato, o regimento é diferenciado, tudo melhorou bastante”, afirmou.
Confira as unidades dos Nuiams no DF
- Delegacia Especial de Atendimento à Mulher I (Asa Sul)
- Delegacia Especial de Atendimento à Mulher II (Ceilândia)
- 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá)
- 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante)
- 29ª Delegacia de Polícia (Riacho Fundo)
- 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires)
Por Cris Oliveira – Jornalista | Blog da Cris
Especialista em política, políticas públicas, empreendedorismo e cobertura institucional.
