Enquanto empresas investem em tecnologia e produtividade, um problema menos visível continua travando resultados: profissionais que permanecem em seus cargos sem evolução real. Segundo a Gartner, esse será um dos principais fatores que vão limitar o desempenho das organizações neste ano. O fenômeno ganhou até um termo próprio: job hugging. Na prática, significa profissionais que permanecem em seus cargos não por crescimento ou entrega, mas por insegurança. Eles se agarram às posições, mesmo quando já não evoluem nelas.
À primeira vista, pode parecer um comportamento compreensível. Em um ambiente econômico instável, com mudanças rápidas e incerteza constante, buscar estabilidade é quase instintivo. O problema é o efeito sistêmico que isso gera, afinal quando alguém para de evoluir, mas continua ocupando espaço, não apenas reduz sua própria performance, mas também limita o crescimento de outros profissionais.
E esse impacto não é pequeno. Dados da própria Gartner indicam que cerca de um quarto da força de trabalho entrega, 20% abaixo da média. Ainda assim, a maioria das organizações tolera esse cenário e é exatamente aí que mora o risco. Em um momento em que produtividade voltou ao centro das decisões de C-Levels, essa tolerância tem um custo alto e muitas vezes invisível. Não se trata apenas de números. Trata-se de ritmo, energia, cultura e competitividade. Empresas não travam apenas por falta de estratégia, mas porque as pessoas certas não estão nas posições certas, no momento certo.
Hoje, gestão de pessoas não pode significar apenas retenção. O desafio não está em manter talentos, mas em alocar, desenvolver e movimentar essas pessoas de forma estratégica, em linha com as demandas do negócio. Isso exige reconhecer quem deve crescer mais rápido, quem pode gerar mais valor em outra função e, em alguns casos, entender que determinados ciclos precisam se encerrar. Trata-se de uma gestão ativa, que entende talento como um recurso dinâmico e não estático. É exatamente essa capacidade de tomar decisões conscientes, no tempo certo, que diferencia organizações que apenas administram pessoas daquelas que, de fato, gerenciam performance e constroem vantagem competitiva de forma consistente.
Não existe neutralidade na gestão. Ou a empresa desenvolve pessoas, ou permite que a estagnação se torne cultura. E estagnação, quando institucionalizada, se transforma em cultura. Uma cultura silenciosa, mas extremamente corrosiva. O desafio é que esse tipo de decisão exige coragem. Não é simples reconhecer que alguém deixou de performar. Não é confortável ter conversas difíceis. Mas evitar esse movimento não resolve o problema; apenas o adia. E, normalmente, com um custo maior lá na frente.
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Ao mesmo tempo, existe uma responsabilidade individual que não pode ser ignorada. Profissionais também precisam assumir o protagonismo da própria carreira. Permanecer em uma posição sem evolução, apenas por segurança, pode parecer uma escolha prudente no curto prazo. Mas, no longo prazo, cobra um preço alto: perda de relevância, de energia e, muitas vezes, de propósito.
O mercado mudou. A estabilidade deixou de estar no cargo e passou a estar na capacidade de se adaptar, aprender e evoluir continuamente. E talvez seja esse o ponto central dessa discussão. Em um mercado que muda rápido, estagnação deixou de ser apenas um problema individual. Tornou-se um risco estratégico. Organizações que entenderem isso sairão na frente. Não porque terão mais recursos, mas porque terão mais clareza e disciplina na gestão de seus talentos. Saber quando acelerar, quando ajustar e quando mudar será, cada vez mais, um diferencial competitivo.
David Braga – CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent Executive Search, empresa de busca e seleção de executivos, presente em 30 países e 50 escritórios pela Agilium Group. Presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-MG); É conselheiro de Administração e professor pela Fundação Dom Cabral e Presidente do Conselho de Administração da ONG ChildFund Brasil. Instagrams: @davidbraga | www.davidbraga.com.br
