Alckmin aguarda diálogo e sintonia no encontro entre Lula e Trump

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira (4), em São Paulo, que espera que o próximo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seja pautado pelo diálogo. A reunião está prevista para ocorrer nesta semana em Washington.

“Eu torço para que essa boa química que ocorreu entre o presidente Lula e o presidente Trump possa fortalecer ainda mais em benefício dos dois grandes países, duas grandes democracias do Ocidente”, declarou ele a jornalistas.

Alckmin destacou a importância da reunião, especialmente considerando que os Estados Unidos são o principal investidor no Brasil. “Esse encontro é muito importante porque os Estados Unidos são o terceiro parceiro comercial do Brasil, atrás da China e da União Europeia. Mas ele é o primeiro investidor no Brasil. Então é [uma reunião] muito importante”, afirmou.

O vice-presidente também comentou sobre a questão tarifária, ressaltando que sempre defendeu uma relação comercial mais favorável. “Aquele tarifaço não tinha sentido porque os Estados Unidos têm déficit na balança comercial com muitos países do mundo, mas não tem com o Brasil”, enfatizou.

Para Alckmin, a reunião deve abordar temas como big techs e terras raras, sendo benéfica para ambos os países. “O presidente Lula é do diálogo. Toda orientação é no sentido de fortalecer a relação Brasil e Estados Unidos. É um ganha-ganha. Nós temos aqui mais de 3 mil, quase 4 mil empresas americanas no Brasil. Acho que estamos vivendo um outro momento, passando o tarifaço. E agora é fortalecer essa parceria, derrubar também barreiras não tarifárias”, disse.

Ele também mencionou que há espaço para negociação em questões como big techs e minerais estratégicos. “Vai ter aqui o Redata, um programa para atrair data center. Tem muita oportunidade de investimentos recíprocos”, destacou.

Alckmin comentou ainda sobre o novo programa Desenrola, anunciado hoje pelo presidente Lula. O Desenrola é um programa de renegociação de dívidas voltado à população que ganha até cinco salários mínimos, permitindo a negociação de débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

“O Desenrola é necessário porque vai ajudar as famílias. O desconto pode chegar a 90%. E ele vai garantir juros mais baixos, além de atender também pequenas empresas”, afirmou o vice-presidente.

O vice-presidente esteve hoje na Câmara de Comércio Sueco-Brasileira, onde destacou a importância da assinatura do acordo entre os países do Mercosul e os países da União Europeia. “Isso fortalece investimentos recíprocos, a integração produtiva e a complementaridade econômica”, disse.

De acordo com a pesquisa Business Climate Survey 2026, divulgada hoje pela Câmara de Comércio Sueco-Brasileira, 63% das empresas suecas com atuação no Brasil esperam aumentar o abastecimento a partir da Europa com base no acordo Mercosul-União Europeia. Além disso, 49% dessas empresas preveem oportunidades de expandir as exportações do Brasil para o continente europeu.

A pesquisa foi realizada entre 30 de janeiro e 6 de março deste ano com 60 empresas suecas e revelou que 73% delas declararam ter tido lucro no ano de 2025 no país. Para a Câmara, esse resultado é “expressivo, especialmente diante de um cenário de desaceleração econômica e taxas de juros historicamente elevadas”.

Outro dado revelado pela pesquisa é que 46% das empresas suecas confirmaram ter planos de aumentar seus investimentos no Brasil nos próximos doze meses.

Fonte: Agência Brasil

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