A convenção do PSB-DF, realizada nesta segunda-feira (3), confirmou a candidatura de Ricardo Cappelli ao Governo do Distrito Federal e abriu uma nova rodada de pressão sobre o Partido dos Trabalhadores. Em discurso político, Cappelli defendeu a unificação da esquerda e afirmou esperar “bom senso” do PT para retirar a candidatura de Leandro Grass ao Palácio do Buriti.
O apelo ocorre às vésperas da convenção petista, marcada para esta terça-feira (4), quando o partido pretende oficializar Grass como candidato ao GDF e a deputada federal Érika Kokay como candidata ao Senado.
Cappelli argumentou que está em pré-campanha há 19 meses e deixou claro que não pretende abandonar a disputa. Segundo ele, as articulações pela construção de uma candidatura única continuarão até 15 de agosto, prazo final para que partidos e coligações apresentem os pedidos de registro das candidaturas à Justiça Eleitoral.
“Nós oferecemos ao PT a indicação da nossa vice na nossa chapa. O PT já tem uma candidatura ao Senado, a candidatura da Érika Kokay. Não é razoável o PT ter duas vagas na chapa majoritária”, declarou Cappelli.
A fala representa uma cobrança direta ao PT e coloca sobre a legenda a responsabilidade política por uma possível divisão da esquerda no Distrito Federal. Na avaliação do PSB, a indicação da candidatura ao governo e de um nome ao Senado daria ao partido de Lula dois dos principais espaços da chapa, reduzindo a participação das demais forças do campo progressista.
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Ao oferecer a vaga de vice ao PT, Cappelli tenta apresentar sua candidatura como ponto de convergência para uma aliança mais ampla. O movimento também busca convencer os aliados de que a união seria necessária para aumentar a competitividade contra as candidaturas da governadora Celina Leão e do ex-governador José Roberto Arruda.
A negociação, entretanto, enfrenta obstáculos. A candidatura de Leandro Grass já recebeu apoio de partidos da esquerda, incluindo PSol, Rede, PV e PCdoB. O PV indicou Dora Gomes para a vice, enquanto Érika Kokay ocupa uma das vagas na disputa pelo Senado.
Com as duas convenções, PSB e PT caminham para oficializar projetos concorrentes. Apesar do discurso de unidade em torno da reeleição do presidente Lula, as legendas ainda não conseguiram reproduzir no Distrito Federal uma composição comum.
A partir de agora, a disputa interna deixa os bastidores e passa a ser travada publicamente. Cappelli tenta se consolidar como o nome capaz de ampliar a aliança, enquanto Grass aposta na estrutura da Federação Brasil da Esperança e nos apoios partidários já construídos. Se nenhum dos lados recuar até 15 de agosto, a esquerda chegará às urnas dividida justamente no momento em que seus principais adversários trabalham para concentrar forças em chapas mais robustas.
