A campanha eleitoral de 2026 começou sob forte pressão contra o trabalho da imprensa. Em apenas 15 dias, foram documentados 2.630 ataques online dirigidos a jornalistas, veículos de comunicação e à imprensa de forma geral.
Os dados fazem parte do primeiro relatório da Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), divulgado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). O monitoramento abrangeu o período de 16 a 29 de agosto e identificou ataques direcionados a 91 veículos de comunicação e 46 jornalistas.
O levantamento foi realizado pela CDJor em parceria com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic), da Universidade Federal do Espírito Santo. Nesta primeira etapa, foram analisadas publicações feitas no X e no Instagram.
Violência busca intimidar o trabalho jornalístico
O volume de ataques registrado nos primeiros 15 dias de campanha acende um alerta sobre a tentativa de descredibilizar veículos e intimidar profissionais responsáveis pela cobertura eleitoral.
Além das agressões direcionadas a jornalistas específicos, o monitoramento encontrou publicações contra a imprensa de maneira ampla. Esse tipo de discurso contribui para criar um ambiente de hostilidade, especialmente durante um período em que o acesso da população a informações verificadas é essencial para a escolha dos representantes.
- Mulher Indígena: educação, protagonismo e enfrentamento à violência
- Falta de inclusão gera prejuízos sociais e econômicos para o Brasil, alerta especialista
- Damares anuncia pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes
- Ciclone extratropical provoca chuvas no Centro-Sul e pode mudar o tempo no DF
- CIEE oferece 7,4 mil vagas de estágio em todo o país
Dados anteriores da Abraji já mostravam que a violência contra jornalistas tem forte presença no ambiente digital. Em 2025, a entidade registrou 204 ataques contra profissionais e veículos de comunicação, dos quais 55,4% tiveram origem ou repercussão na internet.
Mulheres jornalistas também são alvo
A CDJor informou que o monitoramento das eleições de 2026 terá uma análise específica sobre discursos misóginos dirigidos a mulheres jornalistas.
No levantamento referente a 2025, a violência de gênero apareceu em 15,2% dos ataques documentados. Entre os episódios que apresentaram esse componente, 77,4% continham manifestações machistas, misóginas ou LGBTfóbicas.
As agressões contra mulheres que atuam na imprensa frequentemente ultrapassam a crítica profissional e atingem características pessoais, aparência, sexualidade e vida familiar.
Monitoramento incluirá ataques fora das redes
Embora o primeiro relatório tenha se concentrado nas plataformas digitais, a coalizão também acompanhará episódios ocorridos fora das redes sociais.
Casos de agressão física, assédio judicial, censura e outras formas de intimidação deverão integrar os próximos boletins. A CDJor pretende divulgar atualizações quinzenais e relatórios analíticos ao término de cada turno eleitoral.
O monitoramento seguirá durante todo o período das eleições, incluindo o segundo turno. A iniciativa reúne entidades como Abraji, Federação Nacional dos Jornalistas, Instituto Vladimir Herzog, Repórteres Sem Fronteiras, Comitê para a Proteção dos Jornalistas, Instituto Tornavoz e ARTIGO 19.
Núcleo oferece apoio aos profissionais
Jornalistas que estejam enfrentando ameaças ou situações de risco podem procurar o Núcleo de Segurança da Abraji. O serviço oferece orientação em casos envolvendo riscos digitais, jurídicos e presenciais.
O contato pode ser feito pelo endereço nucleodeseguranca@abraji.org.br.
Ataques à imprensa não atingem somente jornalistas ou empresas de comunicação. Quando profissionais são intimidados por investigar, questionar ou divulgar informações de interesse público, o direito de toda a sociedade à informação também fica ameaçado.
