BRT de R$ 1 bilhão promete mudar a rotina de 64 mil passageiros do Entorno

Projeto prevê corredor exclusivo entre Luziânia e Santa Maria, com terminais e estações em pontos estratégicos de Valparaíso, Cidade Ocidental e Novo Gama; obra ainda depende da conclusão dos estudos e da licitação

Um projeto estimado em aproximadamente R$ 1 bilhão poderá transformar a rotina de milhares de moradores que enfrentam diariamente congestionamentos, ônibus lotados e longas viagens entre o Entorno e o Distrito Federal.

O BRT do Entorno prevê a implantação de um corredor exclusivo de transporte coletivo ao longo da BR-040, ligando Luziânia, em Goiás, ao terminal de Santa Maria, no Distrito Federal. A estimativa é atender cerca de 64 mil passageiros por dia.

O sistema deverá passar por Luziânia e por pontos estratégicos de Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental e Novo Gama. Em Santa Maria, os passageiros terão acesso ao BRT Sul, que segue em direção ao Plano Piloto.

O objetivo é retirar os ônibus do congestionamento enfrentado pelos demais veículos e reduzir o tempo gasto no deslocamento entre Goiás e Brasília.

Trajeto previsto

O corredor deverá começar no terminal de Luziânia e seguir pela BR-040 até Santa Maria. Ao longo do percurso, o projeto prevê três terminais e quatro estações:

  • Terminal de Luziânia;
  • Estação Três Poderes, em Luziânia;
  • Estação Jardim Ingá, em Luziânia;
  • Terminal Valparaíso Sul/Cidade Ocidental;
  • Estação Valparaíso Centro;
  • Estação Valparaíso Norte/Novo Gama;
  • Terminal de Santa Maria, no Distrito Federal.

A estrutura permitirá a integração das linhas alimentadoras dos municípios com o corredor principal. A proposta é que os passageiros cheguem aos terminais por linhas locais e, depois, utilizem os ônibus do BRT no trajeto até o Distrito Federal.

O BRT foi escolhido por apresentar custo e prazo de implantação menores do que alternativas sobre trilhos, além de oferecer capacidade para transportar um grande número de passageiros em vias exclusivas.

Projeto está na fase de estudos

Apesar da expectativa, as obras ainda não começaram. O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental está em fase final de elaboração.

O documento deverá definir o traçado, a demanda de passageiros, os custos, os impactos ambientais e as condições necessárias para a implantação do sistema.

Depois de concluídos, os estudos deverão ser apresentados à Caixa Econômica Federal. Somente após a análise e aprovação da documentação será possível avançar para as demais etapas, incluindo a abertura da licitação.

Ainda não há uma data oficialmente confirmada para o início das obras ou para a entrada do BRT em funcionamento.

Transporte é um dos maiores problemas do Entorno

A mobilidade é uma das principais reclamações da população do Entorno. Todos os dias, milhares de moradores deixam cidades goianas para trabalhar, estudar ou buscar atendimento médico no Distrito Federal.

A falta de integração entre os sistemas, o preço das passagens, os atrasos e o tempo perdido nos congestionamentos transformaram o transporte em um problema social e econômico para a região.

Como as linhas cruzam a divisa entre Goiás e o Distrito Federal, o serviço é classificado como interestadual semiurbano e envolve diferentes governos e órgãos reguladores.

A implantação do BRT também exigirá uma articulação entre o Governo de Goiás, o Governo do Distrito Federal, a União, os municípios atendidos e a Agência Nacional de Transportes Terrestres.

Promessa antiga volta ao centro do debate

A extensão do BRT Sul até as cidades goianas é discutida há mais de uma década. A proposta surgiu para aproveitar a estrutura já implantada no Distrito Federal e criar uma ligação de maior capacidade com o Entorno Sul.

A demora na execução transformou o projeto em uma cobrança recorrente dos moradores e em tema frequente nas disputas políticas de Goiás e do Distrito Federal.

Agora, com a conclusão dos estudos de viabilidade, o BRT volta a aparecer como uma das principais apostas para melhorar o transporte na região.

Para a população, no entanto, o avanço decisivo ocorrerá quando o projeto deixar o papel, tiver recursos assegurados e um cronograma oficial de licitação e obras.

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