Augusto Cury leva inteligência emocional e discurso de pacificação à disputa presidencial

Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência da República, aposta em uma campanha voltada à inteligência emocional e à pacificação política

Conhecido nacionalmente pelos livros sobre inteligência emocional, comportamento e saúde mental, o escritor e médico psiquiatra Augusto Cury tenta transformar sua popularidade no mercado editorial em votos na disputa pela Presidência da República.

Candidato pelo Avante, Cury ainda aparece distante dos líderes nas pesquisas eleitorais. Nos levantamentos mais recentes do Datafolha e do BTG/Nexus, o escritor registra 2% das intenções de voto nos cenários estimulados.

O desempenho mostra que, apesar de ser um dos autores brasileiros mais conhecidos, Cury ainda enfrenta dificuldades para converter sua projeção pessoal em força eleitoral. Na disputa política, ele busca ocupar o espaço de candidato moderado, com um discurso voltado à pacificação do país, à educação e aos cuidados com a saúde emocional da população.

R$ 150 mil do próprio bolso

A campanha de Augusto Cury também chamou atenção pelo volume de recursos pessoais investidos pelo candidato. Segundo informações registradas na prestação de contas eleitoral, ele transferiu R$ 150 mil para a própria campanha.

Foram duas operações via Pix, no valor de R$ 75 mil cada, realizadas nos dias 21 e 23 de agosto. O montante é três vezes maior que os R$ 50 mil repassados pelo Avante até o momento.

Cury declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônio de R$ 242,2 milhões, o maior entre os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. O segundo maior patrimônio declarado entre os concorrentes é o de Romeu Zema, do Novo, com R$ 178,7 milhões.

Apesar da fortuna declarada, a legislação eleitoral estabelece limites para o autofinanciamento. O candidato pode usar recursos próprios, desde que respeite o teto correspondente a 10% do limite de gastos definido para o cargo disputado.

Apenas 35 segundos na televisão

Outro desafio para Augusto Cury será a pouca exposição no horário eleitoral gratuito. O candidato do Avante terá apenas 35 segundos em cada bloco destinado à propaganda presidencial no rádio e na televisão.

O tempo é significativamente menor que o destinado aos candidatos apoiados por coligações com maior representação no Congresso Nacional. Lula terá 5 minutos e 31 segundos; Flávio Bolsonaro, 4 minutos e 20 segundos; e Ronaldo Caiado, 2 minutos e 2 segundos.

Com pouco espaço na televisão, a campanha de Cury deverá apostar principalmente nas redes sociais, em entrevistas e na popularidade construída pelo escritor ao longo da carreira.

Participação no debate da Band

Augusto Cury participou do primeiro debate presidencial promovido pela Band, no último domingo (23). Antes do início do programa, chegou a anunciar que não participaria, alegando frustração com a ausência dos principais candidatos colocados nas pesquisas.

Pouco depois, porém, voltou atrás e entrou no estúdio. Segundo o candidato, a decisão foi tomada em respeito ao jornalista Fernando Mitre e aos profissionais envolvidos na organização do encontro.

Durante o debate, Cury adotou um tom conciliador e procurou apresentar-se como uma alternativa à polarização política. Também defendeu maior atenção à saúde mental e discutiu propostas para as áreas de educação e segurança pública.

Sabatina na Globo

Neste sábado (29), Augusto Cury terá uma das principais oportunidades de ampliar sua exposição nacional. Ele será o último participante da série de entrevistas da TV Globo com os candidatos à Presidência.

A sabatina será conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, com exibição após o Jornal Nacional e transmissão simultânea pela GloboNews.

O programa poderá ser decisivo para o candidato apresentar propostas, explicar por que deixou a carreira de escritor para ingressar na disputa presidencial e tentar conquistar os eleitores que ainda não conhecem seu projeto político.

Com pouco tempo de televisão e apenas 2% nas pesquisas, Cury entra na fase mais intensa da campanha diante do desafio de mostrar que sua candidatura pode ir além da fama construída no mercado editorial.

Nos siga no Google Notícias

Últimas Notícias