Procuradoria recua e dá parecer favorável à candidatura de Gustavo Rocha

Órgão considerou esclarecida a participação do candidato a vice-governador em audiência no STF; decisão definitiva sobre o registro caberá ao TRE-DF

A Procuradoria Regional Eleitoral do Distrito Federal mudou de posição e passou a defender a liberação da candidatura de Gustavo Rocha (Republicanos) a vice-governador na chapa encabeçada pela governadora Celina Leão (PP).

No novo parecer, apresentado nesta terça-feira (25), o Ministério Público Eleitoral considerou esclarecida a acusação de que Rocha teria continuado exercendo funções públicas depois do prazo exigido pela legislação eleitoral para a desincompatibilização.

Gustavo Rocha deixou o comando da Casa Civil do Distrito Federal em 2 de abril para participar das eleições. A candidatura, entretanto, foi questionada pelo próprio Ministério Público Eleitoral e pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

As impugnações sustentavam que, apesar da exoneração formal, Rocha teria continuado atuando como representante do Governo do Distrito Federal.

Audiência no STF motivou questionamento

A principal controvérsia envolvia a participação de Gustavo Rocha em uma audiência de conciliação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) em 26 de maio.

O encontro tratava de um acordo envolvendo a União, o Banco Central, o Banco de Brasília (BRB) e o Governo do Distrito Federal. Na primeira versão da ata, Rocha aparecia como representante oficial do DF.

A defesa afirmou que o documento continha um erro e argumentou que o ex-secretário participou da reunião apenas como ouvinte, sem exercer qualquer função em nome do governo.

O ministro Luiz Fux, relator do processo no STF, determinou a retificação da ata para registrar que Gustavo Rocha estava presente como ouvinte, e não como representante do Distrito Federal.

Procuradoria acolhe explicações

Com a alteração do documento, o procurador regional eleitoral Francisco Guilherme Vollstedt Bastos acolheu os argumentos apresentados pela defesa.

Segundo o procurador, a decisão do ministro Luiz Fux possui fé pública e presunção de veracidade. Registros fotográficos da audiência, mostrando Rocha fora da mesa de negociações, também foram considerados na nova manifestação.

Diante desses elementos, a Procuradoria Eleitoral passou a defender que as ações de impugnação sejam julgadas improcedentes e que o registro da candidatura seja liberado.

Decisão agora está nas mãos do TRE-DF

O parecer da Procuradoria é favorável a Gustavo Rocha, mas não encerra o processo. A decisão definitiva caberá ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF).

Rocha concorre pela coligação “Propósito e Ação”, que reúne Republicanos, MDB, Podemos, PL, DC, Mobiliza, Democrata, Federação Renovação Solidária e Federação União Progressista.

A nova manifestação representa uma vitória jurídica para a chapa de Celina Leão, que lidera a disputa pelo Governo do Distrito Federal nas pesquisas mais recentes.

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