Por Cris Oliveira
A troca de críticas entre a governadora Celina Leão (PP) e a deputada federal Erika Kokay (PT) sobre os investimentos na saúde pública do Distrito Federal ganhou um novo capítulo após um levantamento da Secretaria de Relações Institucionais do GDF. A análise dos repasses parlamentares mostra uma diferença fundamental entre o argumento das duas: enquanto a deputada contabiliza recursos destinados a instituições federais de saúde, a governadora se refere às emendas encaminhadas diretamente ao Fundo de Saúde do Distrito Federal, responsável pelo custeio dos hospitais e unidades da rede pública administrada pelo GDF. Os dados indicam que, em 2025 e 2026, não houve repasses da parlamentar para o Fundo de Saúde do DF, reforçando o ponto defendido por Celina Leão durante o embate público.
Durante um vídeo publicado nas redes sociais, Celina respondeu às críticas feitas por Erika sobre a situação da saúde no Distrito Federal e afirmou que a deputada havia destinado “zero real” para a saúde pública do DF neste ano. A declaração foi contestada pela petista, que afirmou ter destinado mais de R$ 70 milhões para o setor.
O levantamento, elaborado com base nos repasses parlamentares ao Ministério da Saúde, evidencia que o embate decorre de critérios distintos de contabilização dos investimentos. A deputada Erika Kokay inclui recursos destinados a instituições federais, como Fiocruz e Hospital Universitário de Brasília (HUB). Já a governadora Celina Leão destaca os recursos encaminhados ao Fundo de Saúde do Distrito Federal, que financia os hospitais regionais e toda a rede pública administrada pelo GDF, responsável pelo atendimento direto da população do Distrito Federal.
Zero para o Fundo de Saúde em 2025 e 2026
Os documentos indicam que, entre 2025 e 2026, não houve indicação de recursos da deputada para o Fundo de Saúde do Distrito Federal.
Segundo o levantamento, em 2025 o repasse direto ao Fundo de Saúde do DF foi de R$ 0,00. O mesmo ocorre em 2026, quando novamente não há destinação de recursos para a gestão direta da Secretaria de Saúde do DF.
É justamente esse dado que sustenta a crítica feita pela Governadora Celina Leão durante a resposta à parlamentar.
Para onde foram as emendas
Embora não tenha destinado recursos diretamente ao Fundo de Saúde do DF nos dois últimos anos analisados, Erika Kokay continuou apresentando emendas para a área da saúde.
Em 2026, o levantamento registra R$ 20,132 milhões destinados ao setor.
Desse total:
R$ 14,83 milhões foram destinados à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz);
R$ 5 milhões ao Hospital Universitário de Brasília (HUB);
R$ 302 mil também para a Fiocruz.
Nenhum desses recursos teve como destinatário o Fundo de Saúde do Distrito Federal.
O mesmo cenário aparece em 2025. Naquele ano, foram destinados R$ 15,6 milhões para a Fiocruz e R$ 3,047 milhões para o Hospital Universitário de Brasília, enquanto o Fundo de Saúde do DF não recebeu recursos da parlamentar.
Apenas 9,8% foram para a rede do GDF
Considerando todo o período entre 2023 e 2026, o relatório contabiliza R$ 73,1 milhões destinados por Erika Kokay para ações relacionadas à saúde.
Desse total:
R$ 65,97 milhões (90,2%) foram destinados a instituições federais, como Fiocruz, HUB e UnB;
R$ 7,17 milhões (9,8%) tiveram como destino a rede administrada diretamente pelo Governo do Distrito Federal, por meio do Fundo de Saúde do DF.
Os recursos para a rede do GDF concentram-se em 2023 e 2024. Em 2023, foram destinados aproximadamente R$ 5,86 milhões ao Fundo de Saúde do DF, incluindo recursos para o Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), Hospital da Criança de Brasília (HCB) e outras unidades. Em 2024, o montante caiu para R$ 1,3 milhão, destinado ao custeio da rede pública.
Divergência está no conceito de investimento
A análise dos documentos mostra que o embate entre Celina Leão e Erika Kokay decorre da forma como cada uma contabiliza os investimentos em saúde.
A deputada considera no cálculo todos os recursos destinados a instituições federais que atuam na assistência, pesquisa e formação de profissionais de saúde, como Fiocruz, HUB e UnB.
Já a governadora faz referência exclusivamente aos recursos destinados ao Fundo de Saúde do Distrito Federal, responsável pelo financiamento da rede pública administrada pelo GDF.
Sob esse critério, os documentos reforçam o argumento apresentado por Celina Leão de que não houve repasses diretos da deputada para o Fundo de Saúde do Distrito Federal em 2025 e 2026, embora tenham sido destinados recursos para outras instituições públicas da área da saúde.
