TCU aponta R$ 22 bilhões sem análise em quase 30 mil projetos de fomento cultural

Relatório preliminar do Tribunal de Contas da União indica acúmulo histórico de prestações de contas não analisadas no Ministério da Cultura

Um relatório preliminar e sigiloso do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou que aproximadamente 29,7 mil projetos de fomento cultural — incluindo shows, exposições e peças teatrais — não tiveram suas prestações de contas analisadas, acumulando um passivo estimado em R$ 22 bilhões em recursos públicos sem verificação fiscal conclusiva.

Os dados constam em auditoria da Corte de Contas e foram revelados em reportagem do O Estado de S. Paulo, que detalha fragilidades estruturais no controle e no acompanhamento dos recursos destinados à política cultural federal ao longo dos últimos anos.

Falhas estruturais e risco ao controle dos recursos

De acordo com o relatório, o volume expressivo de processos pendentes evidencia problemas crônicos de governança, falhas nos mecanismos de fiscalização e dificuldades no cumprimento de prazos para análise das prestações de contas. O TCU aponta que a ausência de verificação tempestiva compromete o controle do uso dos recursos públicos e amplia o risco de irregularidades não detectadas.

O levantamento também indica que o acúmulo de processos não analisados se estende por diferentes exercícios, revelando um passivo administrativo de longa duração, sem solução estrutural consolidada.

Prestação de contas paralisada e gargalos administrativos

Entre os pontos destacados pela auditoria estão a insuficiência de sistemas integrados, a dependência de controles manuais e a fragilidade na gestão de prazos e fluxos internos. O cenário descrito pelo TCU sugere um ambiente administrativo incapaz de acompanhar, em tempo adequado, o volume de projetos aprovados no âmbito do fomento cultural.

Na prática, milhares de iniciativas financiadas com recursos públicos seguem sem análise conclusiva, o que impede tanto a eventual responsabilização por irregularidades quanto o encerramento formal dos processos.

Impacto institucional e questionamentos

O passivo de R$ 22 bilhões sem análise formal coloca o Ministério da Cultura sob forte questionamento institucional e reforça o alerta do TCU sobre a necessidade de medidas estruturantes, sob risco de perpetuação do problema. Para o órgão de controle, a ausência de fiscalização efetiva compromete princípios básicos da administração pública, como eficiência, transparência e accountability.

O relatório ainda está em fase preliminar, mas os números revelados acendem um sinal de alerta sobre a capacidade do Estado de acompanhar a execução e a correta aplicação dos recursos destinados à política cultural.

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