Experiências rurais em Planaltina de Goiás mostram como o cultivo do mirtilo, adaptado às condições do Cerrado, abre novas frentes de renda, diversificação agrícola e turismo no Entorno do Distrito Federal. O que começa como uma visita ao campo rapidamente se transforma em uma experiência sensorial.
A aposta no mirtilo, fruta típica de regiões frias, nasceu em um momento de incerteza. Durante a pandemia, a produtora Marlene Mendes viu na necessidade de empreender a oportunidade de tirar um sonho do papel. A escolha, segundo ela, precisava gerar valor real. A resposta veio após pesquisa, o mirtilo. “A gente buscava algo que agregasse à vida das pessoas. Hoje, entregamos saúde ao consumidor”, resume.
Na propriedade onde conduz a produção, o visitante não apenas observa a plantação, mas entende um processo construído com adaptação às condições locais, manejo cuidadoso e inovação. A história de Marlene retrata como novas culturas podem ganhar espaço no campo do Entorno.
Do improvável ao produtivo
O cenário que antes parecia desafiador hoje se traduz em resultados concretos. Com 10 mil mudas plantadas em 1 hectare, a propriedade já supera a média de 800g por planta, nas variedades Emerald e Biloxi, indicando a adaptação ao Cerrado.
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O sítio é o único na região a realizar todo o processo, da muda ao produto final. Geleias, chás e gelatos fazem parte do portfólio, ainda que parte da produção esteja temporariamente pausada.
Marlene destaca que esse domínio completo é um diferencial. Ao longo dos últimos quatro anos, acompanhou o crescimento da cultura na região, de um cenário pioneiro para um movimento em expansão. “Quando comecei, era a única. Hoje, já vemos outros produtores e o aumento do consumo”, afirma.

Agricultura familiar e valor agregado
O mirtilo também se destaca pelo modelo produtivo, intensivo em manejo manual, o que favorece a agricultura familiar e permite maior controle de qualidade.
Segundo a produtora, essa proximidade com todas as etapas é uma das forças do cultivo, mas também traz desafios. A demanda por mão de obra, especialmente na colheita, exige planejamento. Em períodos de safra, a propriedade chega a empregar mais de 12 pessoas.
A experiência acumulada virou referência para novos produtores. Marlene alerta para os riscos de iniciar sem orientação adequada, principalmente na escolha de mudas. “O investimento é alto, mas o retorno é real. O caminho já está trilhado para quem quiser produzir com qualidade”, afirma.
Políticas públicas e oportunidades no Entorno
O avanço do cultivo do mirtilo acompanha um movimento mais amplo no Entorno do Distrito Federal, marcado pela diversificação da produção rural e pela busca por maior valor agregado. Nesse cenário, o Governo de Goiás tem ampliado ações de incentivo ao campo, com apoio técnico, estímulo à produção e acesso a novos mercados.
A Secretaria do Entorno do Distrito Federal atua na articulação dessas oportunidades, conectando produtores a iniciativas que fortalecem as cadeias produtivas locais e ampliam a comercialização.
Para o secretário do Entorno, Rafael Henrique Lustosa, o crescimento de culturas como o mirtilo mostra que a região reúne condições para avançar em nichos de maior valor agregado.
“O Entorno tem vocação produtiva e um grande potencial de diversificação. O Governo de Goiás tem trabalhado para garantir apoio técnico, acesso a mercado e condições para que o produtor rural avance com mais competitividade. Quando levamos esses produtores para espaços como a Feira #NoEntornoTem e a AgroBrasília, estamos fortalecendo uma cadeia que gera renda, emprego e desenvolvimento regional”, afirma o secretário.
Turismo rural como experiência
Paralelamente à produção, Marlene também investe no turismo de experiência. A visita guiada aproxima o consumidor do campo, permitindo vivenciar o cultivo, colher o fruto e compreender o processo produtivo.
Sem estrutura turística convencional, o diferencial está na vivência. A proximidade com o produtor transforma o passeio em aprendizado e conexão, ampliando a geração de renda e fortalecendo a identidade rural do Entorno.
Entre o azul intenso da fruta e o cenário do Cerrado, o “ouro azul” deixa de ser apenas uma cultura alternativa e se consolida como um caminho real de desenvolvimento regional.
