É de um ambiente no primeiro andar do Palácio do Buriti, equipado com três conjuntos de monitores que transmitem informações em tempo real, onde o Governo do Distrito Federal monitora todas as ações de combate ao coronavírus. O lugar fica posicionado estrategicamente ao lado do gabinete do governador Ibaneis Rocha. A localização geográfica facilita ao chefe do Poder Executivo, entre uma reunião e outro compromisso, ter a noção exata da real situação.

Os monitores informam números de contágios da pandemia no mundo, no Brasil e no Distrito Federal. Por exemplo: às 16h desta quarta-feira (18), o total de casos confirmados era de 34, oito a mais que na última contagem.

O painel ainda é capaz de dividir por gênero a quantidade de pessoas infectadas. Naquele momento, havia 19 para homens e 15 para mulheres.

No mundo, pelo que mostrava outro painel afixado em uma das paredes da sala, eram contabilizados 211.853 casos naquele instante. A China liderava o ranking, com 81.102, seguida por Itália (35.713) e Irã (17.361).

O Brasil não aparecia na primeira página (felizmente!): ou seja, não estava entre os primeiros 17 países mais afetados. Naquele momento, o número de contagiados confirmados era de 291.

“Para que tenhamos mais eficácia no combate a uma pandemia como essa é preciso ter o máximo de informações, no menor período de tempo possível”, comenta o governador Ibaneis Rocha.

“Este é o trabalho que desenvolvemos aqui, recebendo dados de postos de saúde, hospitais e laboratórios, e formando uma base que nos permite saber quando, como e onde está havendo o contágio”, ressalta ele.

O objetivo, segundo o governador, é oferecer uma resposta rápida e eficiente para a sociedade. “Muitas vezes, antecipando medidas que, à primeira vista, possam parecer exageradas, mas que são fundamentais para que a gente mantenha o controle do avanço da doença”, detalha.

As decisões tomadas pelo Governo do DF atravessam a rua e chegam a outra sala importante no Centro Integrado de Operações de Brasília (CIOB) – onde foi montada uma força-tarefa exclusiva para agir no combate ao avanço do coronavírus.

Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

Capitaneado pelo Grupamento de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros, o grupo conta ainda com representantes das secretarias de Saúde e Casa Civil, além da Polícia Rodoviária Federal e das vigilâncias Sanitária e Ambiental.

As reuniões são diárias (às vezes, várias) e ocorrem na antiga sala de situação da dengue – que passou a ser chamada de central de operações ou comando de incidente.

Lá, também há os mesmos painéis interligados, como no bunker do Palácio do Buriti. A diferença é que há quadros com dados de operações e ações sigilosas da corporação. Informações necessárias para quem está na ponta da batalha.

Outro conjunto de telas monitora o Distrito Federal com imagens de câmeras que fornecem informações de onde estão as concentrações de público (iniciativa desaconselhável). “A gente consegue verificar pelas câmeras os pontos estratégicos para atuar”, diz a major Lorena Athaydes, chefe de Informação Pública da Operação.

A presença mais notada nesse ambiente é a dos bombeiros. São 16 oficiais e praças escolhidos por sua experiência – como a própria Lorena. Ela mesmo fez cursos de especialização em emergências envolvendo produtos perigosos. “Nesse caso, a gente está trabalhando com agente biológico”, diz.

É assim nesse aparato tecnológico e de contingente que são traçadas as estratégias de combate à pandemia no DF. Na terça-feira (17), a equipe de reportagem da Agência Brasília acompanhou a reunião do grupo.

Na ponta da mesa, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros do DF, Lisandro Paixão, iniciava os trabalhos com um pedido de empenho de seus comandados. “Precisamos muito neste momento da dedicação dos senhores”, conclamava o oficial.

O sacrifício a que Lisandro se referia significava cortar na própria carne. Ele avisava iria cancelar todas as férias dos bombeiros – mesmo aquelas que já haviam começado. Mas, tudo bem: o comandante sabe isso faz parte da carreira profissional da categoria.