Cerca de 50% dos jovens argentinos enfrenta vulnerabilidade social

Quase a metade (48,9%) dos jovens da Argentina vive em situação de vulnerabilidade social, segundo pesquisa da Universidade de Buenos Aires (UBA) divulgada nesta semana. Isso representa 4,1 milhões de pessoas.

O estudo considera como jovens em situação de vulnerabilidade aqueles que têm entre 18 e 29 anos, com algum nível de “pobreza econômica” ou que não concluíram os estudos básicos, tendo finalizado, no máximo, o ensino fundamental.

Dos jovens vulneráveis, 57% afirmam que o dinheiro proveniente do trabalho não é suficiente para chegar ao final do mês e apenas 24,8% continuam estudando. Além disso, dois em cada dez jovens argentinos não estudam nem trabalham, enquanto 30% estão desempregados.

Além do desemprego, a pesquisa aponta que a depressão e o uso de álcool e outras drogas são fatores que afetam a juventude do país. Aproximadamente 30% reconhecem que não conseguem controlar o próprio consumo de álcool, cigarro ou outras substâncias.

“Essas vulnerabilidades, no plural, portanto, se configuram de maneiras concretas no cotidiano: déficits materiais de moradia, famílias numerosas, dificuldade ou impossibilidade de fechar as contas, interrupções na educação e trabalho informal”, diz o informe.

A equipe da UBA entrevistou 1.002 jovens de 18 a 29 anos em condições de vulnerabilidade entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, resultando no informe “Jovens Vulneráveis na Argentina: Condições de Vida, Crenças e Expectativas sobre o Futuro”.

Emprego, saúde e segurança

A pesquisa da Universidade de Buenos Aires revela que, entre os jovens que trabalham, apenas 15% têm emprego registrado, enquanto 76% estão em trabalhos informais ou autônomos.

“O emprego concentra-se em atividades pouco qualificadas e altamente informais: comércio, construção e trabalho por conta própria, como venda ambulante ou online, limpeza e cuidados com idosos”, destaca o documento.

Entre os que trabalham, a maioria (56,1%) não está mais estudando. Do total da população jovem argentina, 32% não estudam, não trabalham nem buscam emprego.

“A taxa de emprego é maior entre os homens do que entre as mulheres, e maior na Região Metropolitana de Buenos Aires (AMBA) do que no resto do país”, diz o documento.

Além disso, a pesquisa aponta que 78% dos jovens não têm plano de saúde, dependendo exclusivamente dos serviços públicos, e 40% afirmam viver em bairros “inseguros ou muito inseguros”.

Saúde mental e redes sociais

A situação de vulnerabilidade social reflete-se na saúde mental dos jovens argentinos. Mais de 70% relataram ter “problemas frequentes” de nervos ou ansiedade, e mais de 50% disseram sentir apatia ou depressão.

“Os sinais de sofrimento psicológico não são experiências excepcionais, mas sim parte do cotidiano, o que reforça a multidimensionalidade da vulnerabilidade”, diz o informe.

O estudo também revelou que 66% dos jovens se informam sobre temas atuais, principalmente, pelas redes sociais, com destaque para Instagram (36%) e Facebook (22%). Meios tradicionais, como a TV, ficaram em terceiro lugar, com 18%.

“Níveis mais elevados de escolaridade estão associados a uma maior centralidade do Instagram e a uma diversificação dass digitais, enquanto em níveis mais baixos de escolaridade, o Facebook e a TV continuam sendo canais relevantes”, pondera o estudo.

Fonte: Agência Brasil

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