O número de afastamentos de professores da rede estadual de Goiás para tratamento de transtornos mentais e comportamentais cresceu 77% entre 2019 e 2025. Os registros passaram de 1.625 para 2.877 no período.
Os dados são do Sistema de Acompanhamento a Licenças dos Servidores, ligado à Secretaria de Estado da Administração. O levantamento contabiliza licenças concedidas, e não necessariamente a quantidade individual de profissionais, pois um mesmo professor pode ter se afastado mais de uma vez.
O maior número foi registrado em 2024, quando Goiás contabilizou 2.968 afastamentos. Entre 2019 e 2025, foram 15.309 ocorrências relacionadas à saúde mental de professores.
A evolução dos números mostra a dimensão do problema. Depois de 1.200 afastamentos em 2020, foram registrados 1.780 em 2021; 2.259 em 2022; 2.600 em 2023; 2.968 em 2024; e 2.877 em 2025.
Somente entre janeiro e julho de 2026, a rede estadual já contabilizou 1.324 afastamentos. Como o dado corresponde apenas aos primeiros sete meses do ano, ele ainda não pode ser comparado diretamente com os resultados anuais anteriores.
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Educadores relacionam o crescimento ao excesso de tarefas, à pressão por resultados, às dificuldades encontradas em sala de aula e ao tempo utilizado fora do expediente para planejamento, reuniões, correção de atividades e preenchimento de sistemas.
O levantamento abre uma discussão necessária: enquanto os indicadores educacionais medem o desempenho dos estudantes e das escolas, o adoecimento dos profissionais responsáveis por esses resultados nem sempre recebe a mesma atenção.
A saúde mental dos professores precisa ser tratada como parte da política educacional, com prevenção, acompanhamento psicológico, condições adequadas de trabalho e medidas capazes de reduzir a sobrecarga. Afinal, cuidar de quem ensina também significa proteger a qualidade da educação oferecida aos estudantes goianos.
