A paralisação dos professores da rede pública do Distrito Federal, convocada pelo Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) para esta quarta-feira (21/10), ganhou repercussão política por ocorrer a apenas quatro dias do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25).
A mobilização foi convocada para a Praça do Buriti, onde fica a sede do Governo do Distrito Federal (GDF). O sindicato apresenta reivindicações relacionadas às condições de trabalho, à autonomia das escolas e a decisões administrativas da Secretaria de Educação.
O calendário da manifestação, no entanto, tornou-se alvo de críticas da governadora Celina Leão, que questionou a escolha de uma data tão próxima da votação.
O que reivindicam os professores
Entre os pontos apresentados pelo Sinpro-DF estão discussões sobre o calendário escolar de 2027, o concurso de remanejamento, a autonomia pedagógica das unidades de ensino e as condições de trabalho dos profissionais da educação.
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A entidade também questiona medidas da Secretaria de Educação que, segundo sua avaliação, teriam sido adotadas sem diálogo suficiente com a categoria.
De acordo com informações divulgadas pelo sindicato, a convocação da mobilização foi anunciada em 8 de outubro e aprovada em reunião de delegados sindicais no dia 13.
A proximidade com a eleição, portanto, passou a integrar o debate político em torno da paralisação, embora a escolha da data, isoladamente, não comprove finalidade eleitoral.
Celina Leão critica momento escolhido pelo sindicato
Em vídeo divulgado nesta quarta-feira, a governadora Celina Leão reconheceu o direito dos professores de realizar mobilizações, mas questionou o momento escolhido pelo Sinpro-DF.
“Eu sei que é legítimo o Sinpro chamar qualquer paralisação, mas não é razoável uma paralisação quatro dias antes da eleição, com fins político-eleitorais”, afirmou.
Celina argumentou que as reivindicações relacionadas à remuneração e às condições de ensino poderiam ser discutidas após o segundo turno.
“Quatro dias antes da eleição é o dia de levar a sua pauta de reivindicação ao gabinete, ao Palácio do Buriti? Não seria uma semana após a eleição pedir uma audiência para falar sobre o seu salário, sobre a sua remuneração?”, questionou.
Na avaliação da governadora, a atuação do sindicato às vésperas da votação acaba associando as demandas da categoria à disputa partidária.
“O que a gente não pode confundir é a política eleitoral com a política da educação”, declarou.
Governadora promete diálogo após as eleições
Apesar das críticas, Celina afirmou que seu gabinete permanece aberto para receber representantes dos professores e discutir as reivindicações apresentadas.
A governadora pediu um voto de confiança aos profissionais da educação e disse que pretende tratar das demandas da categoria depois do período eleitoral.
“Estaremos de portas abertas, após esse período eleitoral, para recebê-los e tratar das suas reivindicações. Contem comigo”, afirmou.
Paralisação ocorre na reta final da disputa eleitoral
A mobilização acontece em um momento de maior atenção às decisões do governo e às manifestações de entidades representativas, diante da proximidade do segundo turno.
De um lado, o Sinpro-DF apresenta uma pauta de reivindicações relacionadas ao funcionamento da rede pública de ensino. De outro, Celina Leão questiona o calendário da paralisação e considera que a mobilização possui conotação político-eleitoral.
O direito de manifestação dos trabalhadores é reconhecido pela governadora. A divergência pública está concentrada na escolha da data e na interpretação sobre os objetivos do movimento.
A realização da paralisação durante o período eleitoral não permite, por si só, concluir que o sindicato tenha organizado o ato com finalidade partidária.

