Câncer de mama em pets: novas diretrizes mudam tratamento e alertam sobre castração precoce

Oncologista veterinário revela avanços cirúrgicos e explica por que a castração como método preventivo absoluto tornou-se um debate polêmico na medicina veterinária

O diagnóstico de câncer em um animal de estimação costuma ser um momento de grande angústia para as famílias. No entanto, os avanços na medicina veterinária têm proporcionado tratamentos cada vez mais precisos e menos invasivos. Em sua recente palestra sobre o tema, realizada durante o PETVET, evento voltado para a área pet, Dr. Nazilton Reis, médico veterinário responsável pelo Setor de Oncologia do Nouvet Centro Veterinário, trouxe discussões cruciais sobre o tumor de mama, um dos cânceres mais frequentes entre cadelas e gatas.

 

O foco atual dos especialistas vai além de simplesmente remover a doença: trata-se de garantir longevidade com qualidade de vida. Segundo o oncologista, a cirurgia continua sendo o pilar central para a cura em muitos casos, mas a forma como ela é conduzida passou por uma verdadeira revolução.

 

O fim do “achismo” no centro cirúrgico

Até pouco tempo atrás, não existia um consenso estrito sobre a extensão ideal da cirurgia para a remoção de tumores mamários. Cada veterinário aplicava a técnica que julgava mais adequada, o que gerava um cenário de incertezas: alguns optavam por remover apenas o tumor, enquanto outros retiravam toda a cadeia mamária, independentemente da gravidade.

A virada de chave ocorreu com a publicação de um documento chancelado pela Associação Brasileira de Oncologia Veterinária (ABROVET), baseado em uma classificação brasileira liderada pelo professor Geovanni Cassali, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Essa diretriz, formulada por um consenso de especialistas de renome mundial no assunto, estabelece critérios exatos para determinar o tamanho da cirurgia.

 

“A partir do momento que eu aplico a cirurgia com a extensão adequada, eu posso promover um tempo maior de sobrevida para o paciente e uma diminuição do risco dele desenvolver uma metástase”, explica o Dr. Nazilton.

 

As diretrizes também auxiliam na decisão sobre terapias pós-operatórias, como a quimioterapia. O veterinário ressalta que o tratamento não é uma regra para todos os pacientes. A necessidade da quimioterapia depende de fatores específicos analisados após a cirurgia, como o grau de agressividade da doença (classificada em graus 1, 2 e 3 para carcinomas mamários), o subtipo do tumor e o status dos linfonodos.

 

O dilema da castração: o que mudou?

Um dos pontos mais reveladores foi sobre a mudança de perspectiva em relação à castração. Historicamente, a castração precoce era amplamente defendida como a principal forma de prevenir o câncer de mama. No entanto, novos estudos mostram que a prática exige cautela.

 

Dr. Nazilton alerta que a recomendação atual considera a castração precoce um tema “polêmico e perigoso”. Embora possa, de fato, reduzir o risco de tumores mamários, a remoção precoce dos hormônios predispõe os animais a uma série de outros tipos de câncer e problemas de saúde.

 

A orientação dos especialistas de ponta é clara: a castração não deve ser uma regra cega. A decisão precisa ser individualizada, discutida entre o veterinário e a família, levando em conta o porte do animal, o padrão racial e os riscos envolvidos.

 

Raças em alerta e a importância da prevenção

O desenvolvimento da doença não afeta todos os pets da mesma forma. A incidência varia significativamente dependendo da região, influenciada pelos hábitos culturais de castração. Animais não castrados têm um risco sabidamente maior. Além disso, a genética tem um peso importante. Entre os cães, raças como Pastor Alemão, Cocker Spaniel e Poodle apresentam maior predisposição a desenvolver tumores mais agressivos. Já no mundo felino, as gatas Siamesas exigem atenção redobrada, pois tendem a desenvolver o câncer de mama de forma mais precoce e severa do que outras raças.

 

Como os tutores podem ajudar?

O diagnóstico precoce é a chave para o sucesso do tratamento. O Dr. Nazilton recomenda duas práticas essenciais para tutores de cadelas e gatas:

– O “Autoexame” Pet: semanal ou mensalmente, durante momentos de carinho, palpe as mamas do seu animal (do mamilo até as axilas e a virilha). Qualquer nódulo, aumento de volume ou textura dura deve ser reportado ao veterinário.

– Consultas de Rotina: Check-ups anuais são indicados inclusive para pets jovens. Para animais a partir dos 7 ou 8 anos de idade, o ideal é que a avaliação veterinária passe a ser semestral.

O recado final do especialista é um chamado à conscientização: o diagnóstico de câncer assusta, mas a medicina veterinária brasileira hoje dispõe de diretrizes de nível internacional. Procurar um profissional atualizado faz toda a diferença para o bem-estar e a sobrevivência do seu melhor amigo.

Foto: Divulgação

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Sobre o Nouvet

Inaugurado em 2023, o Nouvet é um centro veterinário de referência em medicina de alta complexidade para cães e gatos, localizado em São Paulo. Com estrutura hospitalar completa, tecnologia de ponta e equipe multidisciplinar, oferece atendimento em mais de 20 especialidades, incluindo oncologia, neurologia, cardiologia, cirurgia, diagnóstico por imagem, medicina intensiva e emergência 24 horas. Comprometidos com a excelência técnica, a inovação e a medicina baseada em evidências, o Nouvet investe continuamente em pesquisa, tecnologia e educação continuada para promover saúde, bem-estar e qualidade de vida aos animais e seus tutores

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