Brasil lidera ranking mundial de intenção de adoção de cães e gatos, revela pesquisa

Levantamento realizado em 14 países mostra que 19% dos brasileiros estão prontos para adotar um animal de estimação, mas preocupações com saúde, custos e adaptação ainda dificultam a decisão.

O Brasil ocupa a primeira posição entre os 14 mercados pesquisados quando o assunto é disposição para adotar cães e gatos. É o que revela um levantamento global divulgado em outubro de 2026 pela Mars, em parceria com a empresa de pesquisas Censuswide. Segundo o estudo, 19% dos brasileiros entrevistados afirmam estar prontos para adotar um animal de estimação, percentual superior à média mundial de 12%.

A pesquisa ouviu 26 mil pessoas em diferentes países, incluindo 2 mil brasileiros de todas as regiões. Os resultados mostram que, apesar do interesse pela adoção, dúvidas sobre a saúde dos animais, despesas veterinárias e mudanças na rotina ainda representam obstáculos para quem deseja receber um novo integrante na família.

Outro dado chama a atenção: 76% dos brasileiros afirmam compreender como funciona o processo de adoção, enquanto a média global é de 64%. Mesmo assim, 20% dos entrevistados no país consideram que o acesso a orientações especializadas aumentaria a confiança para tomar essa decisão.

Saúde dos animais é a principal preocupação

Entre os brasileiros que consideram adotar um pet, 36% apontam o desconhecimento sobre o histórico médico do animal como uma das principais dificuldades.

A preocupação envolve possíveis doenças, necessidade de tratamentos veterinários e cuidados específicos que podem surgir após a adoção.

A convivência com outros animais também aparece como desafio para 21% dos entrevistados.

Entre os jovens de 18 a 24 anos, esse percentual chega a 25%. Na faixa de 25 a 34 anos, sobe para 26%. Já entre pessoas com 55 anos ou mais, o índice é de 15%.

Os números indicam que a decisão de adotar vai além do desejo de ter um animal em casa e exige planejamento para garantir segurança e bem-estar.

Jovens brasileiros se destacam na adoção

O levantamento também identificou diferenças entre as gerações.

Entre os brasileiros de 25 a 34 anos, 65% afirmam já ter adotado um animal de abrigo ou organização não governamental (ONG). Entre os entrevistados com 55 anos ou mais, o percentual é de 40%.

A pesquisa aponta ainda que 68% dos tutores brasileiros confiam nos médicos-veterinários para receber orientações sobre alimentação dos animais, proporção superior à média global de 57%.

Trabalho flexível e espaços pet friendly influenciam decisão

A rotina profissional e a infraestrutura das cidades também interferem na decisão de adotar.

Segundo o estudo, 24% dos brasileiros consideram que a possibilidade de trabalhar em horários flexíveis facilitaria os cuidados com os animais de estimação.

Outros 27% gostariam de contar com mais espaços públicos e estabelecimentos preparados para receber cães e gatos.

Os percentuais brasileiros superam as médias globais, respectivamente de 19% e 17%.

Adoção responsável exige planejamento

Para Katia Souza, diretora de Assuntos Corporativos da Mars Pet Nutrition no Brasil, o interesse pela adoção precisa ser acompanhado de informações que permitam às famílias compreender as responsabilidades envolvidas.

“A adoção responsável começa antes mesmo da chegada do pet à nova casa”, destacou a executiva.

Especialistas recomendam que, antes de adotar, os futuros tutores avaliem a disponibilidade de tempo, os custos com alimentação e atendimento veterinário, as condições do imóvel e a adaptação do animal à família.

Também é importante considerar que cães e gatos podem viver muitos anos e precisam de acompanhamento veterinário, alimentação adequada, atenção e proteção durante toda a vida.

Pesquisa internacional

O levantamento integra as iniciativas do Global Adoption Weekend, movimento promovido pela Mars para incentivar a adoção responsável e ampliar o conhecimento sobre os desafios enfrentados por animais sem lar.

As entrevistas foram realizadas entre 16 e 29 de julho de 2026 em 14 mercados internacionais. No Brasil, a coleta ocorreu entre 16 e 23 de julho.

Os resultados mostram que o país reúne um dos públicos mais interessados em acolher animais abandonados entre os mercados avaliados, mas transformar essa disposição em adoções duradouras continua sendo um desafio.

A pesquisa reforça que adotar não significa apenas oferecer um lar, mas assumir um compromisso permanente com a saúde, a segurança e o bem-estar dos animais.

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