Foto: Reprodução

Hoje fomos surpreendidos pela notícia da morte da jovem Raphaella Noviski Romano, de 16 anos, atingida por 11 disparos no rosto, enquanto assistia aula na Escola Estadual 13 de Maio, em Alexânia (GO).

Seu algoz, Misael Pereira de 19 anos, planejou o crime por um ano, período em que juntou R$ 2,3 mil para comprar o revólver calibre 32 que usou para alvejar a adolescente.

O motivo alegado foi o ódio que sentia pela vítima não aceitar o relacionamento afetivo, com o qual vinha insistindo desde 2016.

Relata uma prima que a adolescente recebeu uma ligação hoje cedo e Misael teria dito: “Está preparada?” tendo em seguida desligado o telefone.

O feminicídio choca em qualquer caso, mas este chama a atenção pela idade dos envolvidos e pela intensidade do ódio demonstrado.

Um ano economizando para comprar a arma! Um ano cultivando o ódio como uma caldeira fervendo, prestes a explodir!

O que leva um jovem de 19 anos a assassinar uma adolescente de 16 anos, ambos com toda a vida pela frente?

O feminicídio não é um crime passional! É um crime caracterizado pelo ódio, pelo desprezo pelo outro, pelo sentimento de perda de controle da situação.

Os tiros direcionados ao rosto deixam claro que o assassino deseja desfigurar, tirar a identidade, destruir a imagem da adolescente, mostrar o seu poder sobre ela.

É minha ou de ninguém mais!

O machista recusa-se a não ter controle sobre as escolhas da mulher, a quem ele diz amar. Mas… quem ama não mata!

É necessário a reflexão, o entendimento de que a violência contra a mulher existe! E não se trata de invenção das feministas, nas quais me incluo.

A violência contra a mulher existe, não pode e não deve ser naturalizada!

O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres! É isso o que queremos para nossos filhos e filhas, netos e netas?

É preciso nos indignarmos, buscarmos entender e enfrentar o fenômeno do feminicídio que vem se tornando uma epidemia em nosso país e no mundo!

Uma excelente iniciativa da ONU Mulheres, o movimento #ElesPorElas ou #HeForShe, busca mostrar que a igualdade de gênero é uma questão que afeta a todos e todas e que, portanto, é benéfica a homens e mulheres.

O Movimento busca ainda engajar homens e meninos para novas relações de gênero sem atitudes e comportamentos machistas.

É preciso levar a reflexão para as escolas, para as universidades, para as empresas, para os órgãos públicos, para as igrejas, enfim para todos os espaços.

Nós precisamos construir juntos, homens e mulheres, uma sociedade mais solidária e fraterna, buscando a desconstrução dos estereótipos de gênero que só causam dor e sofrimento.

Uma frase de Antoine de Saint-Exupéry, autor do livro o Pequeno Príncipe nos leva a refletir:

“Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam.”

Que sejamos despertados pelas perdas de tantas vidas!

Sílvia Rita Souza, Educadora, membro da ONG internacional Women’s Democracy Network  E-mail: [email protected]

 

 

 

 

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