Líder do PCC é detido na Bolívia e levado para São Paulo

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Roberto Prieto Filho, conhecido como Betinho da Baixada e apontado como um dos líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), está detido desde a última quarta-feira (23) em uma unidade prisional de São Paulo, onde permanece à disposição da Justiça no Centro de Detenção Provisória IV, localizado no bairro de Pinheiros.

Prieto foi preso em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, na última terça-feira (22), com o apoio da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil de São Paulo.

Ele estava foragido desde janeiro de 2022, quando um grupo armado invadiu a cadeia pública anexa ao 1º Distrito Policial de Guarujá, no litoral paulista, e o libertou. Na ocasião, os criminosos também resgataram Pablo Ribeiro Lopes Santos, que, segundo o Ministério Público, ajudou Prieto a ocultar a origem ilícita de bens e do dinheiro obtido com a venda de drogas.

Prieto e Santos foram julgados à revelia, ou seja, sem estarem presentes, após escaparem da prisão. Prieto foi condenado a 20 anos, 2 meses e 20 dias de prisão por narcotráfico, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Santos foi absolvido da acusação de associação para o tráfico, mas condenado a pouco mais de quatro anos de prisão, em regime semiaberto, por lavagem de dinheiro.

Ao tomar conhecimento da prisão de Prieto, o juiz André Rossi, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Guarujá, considerou que o cumprimento do mandado de prisão e a transferência de Prieto ao Brasil são juridicamente válidos e que sua detenção “é indispensável para a conveniência da instrução [do processo] e para assegurar a aplicação da lei penal, inexistindo dúvida acerca da contemporaneidade do risco diante da persistência da fuga transnacional”.

Após quase cinco anos foragido, Prieto foi capturado por agentes da Força Especial de Luta contra o Narcotráfico (Felcn) da Bolívia. Segundo a imprensa boliviana, ele foi entregue às autoridades brasileiras e transferido para o Brasil sob forte escolta policial já no dia seguinte (23).

Ainda conforme a imprensa boliviana, agentes brasileiros que participaram da operação estavam no país à procura de outro líder do PCC, André Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap, que não foi localizado.

Nesta sexta-feira (25), um dos advogados de Prieto, Áureo Tupinambá de Oliveira Filho, informou àque a defesa está tentando anular a condenação em primeira instância e garantir a soltura do cliente, apontando o que considera “várias nulidades” processuais, incluindo a alegada falta de fundamentação da decisão judicial que autorizou a execução do mandado de busca que, em 2021, resultou na apreensão de pouco mais de 1 quilo de cocaína pura, supostamente encontrada em um imóvel que Prieto utilizava como “escritório”.

“O Roberto é inocente e o processo, que ainda não transitou em julgado, é nulo”, declarou Tupinambá.

Questionado sobre a invasão da cadeia pública para libertar Prieto e Pablo, o advogado limitou-se a afirmar que não o defendia na época e, portanto, não poderia comentar o assunto.

Em contrapartida, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), ao denunciar Prieto e Pablo, argumentou que o resgate em “uma operação ousada que contou com vários agentes armados com fuzis e com a realização de disparos contra os funcionários da cadeia” demonstraria “a estabilidade e permanência da associação para o tráfico de drogas”.

Consultadas, a PF e a Polícia Civil de São Paulo informaram que não se manifestam sobre prisões ou operações em curso.

Fonte: Agência Brasil

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