Nem sempre os transtornos alimentares são visíveis e podem afetar pessoas de diferentes idades, gêneros e perfis. Diante do aumento e da complexidade desses casos, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) promoveu, nesta segunda-feira (1º), uma capacitação voltada aos profissionais da rede para fortalecer o acolhimento e o cuidado oferecido às pessoas em tratamento.
A atividade integrou a programação alusiva ao Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, celebrado em 2 de junho, e reuniu equipes de diferentes áreas interessadas em discutir estratégias de cuidado, atualização técnica e formas de fortalecer o vínculo com os pacientes. A iniciativa foi promovida pela Diretoria de Inovação, Ensino e Pesquisa (Diep).
Segundo o nutricionista clínico e esportivo Ramon Batista, ainda existem muitos equívocos sobre quem pode desenvolver um transtorno alimentar, o que pode atrasar a identificação dos casos.
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“Qualquer pessoa pode apresentar um transtorno alimentar, independentemente de gênero, idade, escolaridade ou condição financeira. Muitas vezes, os sinais passam despercebidos porque ainda existe uma imagem estereotipada dessas doenças”, explica.
Durante a capacitação, o especialista destacou que transtornos como anorexia nervosa, bulimia nervosa e compulsão alimentar periódica podem se manifestar de formas diferentes e nem sempre estão associados à magreza extrema.
“Existe uma visão de que pacientes anoréxicos são extremamente magros, mas pacientes obesos também podem ter esse transtorno, por exemplo. A identificação dos sinais pode acontecer em diferentes pontos da assistência, mas o diagnóstico exige avaliação especializada e acompanhamento da psiquiatria”, afirma.
O aumento da exposição a padrões estéticos nas redes sociais, a pressão por determinado tipo físico e a busca por resultados rápidos também foram apontados como fatores que contribuem para o crescimento da demanda por atendimento.
Para Batista, o sucesso do tratamento depende não apenas da conduta técnica, mas também da forma como a pessoa é acolhida ao longo do cuidado.
“São pessoas em sofrimento. O acolhimento é fundamental para criar vínculo e confiança. Quando o paciente se sente julgado, tende a se afastar do tratamento. Por isso, precisamos oferecer uma assistência baseada na escuta, no respeito e na compreensão”, destaca.
O enfermeiro da Diep e organizador da capacitação, Maxsuel Dias, ressalta que a atualização constante das equipes é essencial diante do aumento dos casos e das novas demandas relacionadas à imagem corporal.
“Observamos uma preocupação crescente com questões relacionadas ao peso, ao uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento e até de anabolizantes. Por isso, é fundamental que as equipes estejam preparadas para reconhecer sinais precoces e oferecer o encaminhamento adequado”, afirma.
Para a enfermeira do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), Luiza Esteves, a capacitação contribui diretamente para aprimorar o atendimento prestado aos usuários.
“Foi uma oportunidade importante para ampliar conhecimentos e esclarecer dúvidas. O nutricionista trouxe conceitos e orientações que vamos conseguir aplicar no nosso dia a dia e melhorar a assistência prestada aos pacientes”, avalia.
A capacitação foi realizada pelo Núcleo de Educação Permanente (Nudep), com apoio do Núcleo de Tecnologias Educacionais (Nuted). A transmissão online completa está disponível no canal oficial do Instituto no YouTube.
