Após levantamento que revelou que nenhum real foi investido na Casa da Mulher Brasileira em 2019, a comissão externa de combate à violência contra a mulher enviou requerimento para cobrar o uso e transparência nos valores enviados ao governo federal. Declaração do presidente, que afirmou que área não precisa de recurso, também foi rebatida pela bancada feminina.

“Realmente há um machismo arraigado na nossa sociedade e neste ponto concordo plenamente com o presidente, quando diz que é cultural esse comportamento. Mas discordo que não é preciso investimento, ao contrário, os números de vítimas reforçam que precisamos de recursos para políticas de enfrentamento, que incluem ações educativas e de conscientização”, declarou Flávia Arruda, presidente da comissão.

A comissão se reuniu em caráter de emergência. No encontro, Flávia Arruda apresentou nota técnica que confirmou que no ano passado houve empenho de R$17,7 milhões, porém não houve nenhum pagamento. O levantamento reforçou dados divulgados pelo jornal Estado de São Paulo e mostra que em 2015, o orçamento proposto pelo Executivo foi de R$152 milhões, em 2019 foi de R$27 milhões, o que representa uma redução de 82%.

“Os números não nos deixam mentir e comprovam o abandono de uma política pública já enfraquecida no país”, declarou Flávia Arruda.

Também participou da reunião a secretária adjunta da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, Rosinha da Adefal. Segundo ela há uma interlocução muito boa com a Câmara. “A maior prova disso são as indicações das emendas. Vamos com todo empenho executar estes recursos”, prometeu.