A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que mantenha em vigor a medida provisória (MP) que proibiu a atividade das bets no país.
No parecer, o advogado-geral da União, Jorge Messias, pede que o ministro Luiz Fux, relator do tema no STF, aguarde a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de decidir sobre o pedido para a suspensão dos efeitos da MP.
A AGU também requereu que, antes de qualquer decisão, Fux realize uma nova audiência pública sobre o assunto, seguindo o modelo de uma primeira audiência realizada em novembro de 2024.
A suspensão da proibição das bets foi solicitada em 28 de setembro pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). As entidades argumentam que a medida foi abrupta, causando prejuízos bilionários para as empresas que confiaram no marco regulatório vigente no país e realizaram investimentos.
As associações do setor insistiram para que a liminar fosse concedida antes das manifestações da AGU e da PGR, e até as 23h59 desta segunda-feira (5), prazo final para que os portais e plataformas das bets fossem retirados do ar.
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Contudo, Fux decidiu aguardar a manifestação da AGU antes de qualquer decisão sobre o tema. O ministro é relator de três ações diretas de inconstitucionalidade que questionam o marco legal das bets, que entrou em vigor em 2023 e foi extinto pela medida provisória.
Assinada em 25 de setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a MP questionada proibiu em todo o território nacional a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quotas fixas, as chamadas bets.
A AGU já havia se manifestado pela inconstitucionalidade da Lei das Bets, que foi proposta e sancionada pelo próprio governo. Agora, ao pedir que a MP que proibiu as bets seja mantida pelo STF, o advogado-geral da União reiterou que a experiência de regulação não foi suficiente para proteger a população dos malefícios das apostas online.
“A exploração das apostas de quota fixa vinha sendo acompanhada por diversos órgãos públicos, que identificaram indicativos de repercussões relevantes sobre o orçamento familiar, o endividamento, a saúde, a proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade e outros interesses constitucionalmente protegidos”, escreveu Jorge Messias.
Para justificar a urgência da edição de uma medida provisória proibindo as bets de imediato no país, o AGU voltou a citar diversos malefícios à população, como o endividamento das famílias, a desproteção de crianças e adolescentes, os impactos na economia formal e o aumento de 140% nos atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) a pessoas com transtornos provocados pelo vício em jogos.
O AGU também afastou argumentos de que o governo não poderia ter renunciado à arrecadação prevista com os impostos pagos pelas bets. Para o AGU, não se pode falar em renúncia fiscal quando a perda de receitas com impostos decorre da extinção de um setor da economia.
A perda estimada de arrecadação com a extinção das bets é calculada pelo governo em cerca de R$ 5 bilhões por ano.
Fonte: Agência Brasil
