Dinâmica permitiu que enfermeiros e técnicos experimentassem parte dos desafios enfrentados diariamente por pessoas que utilizam o dispositivo
Como tomar banho, dormir, trabalhar ou simplesmente se sentir confortável usando uma bolsa de estomia? Para compreender melhor a realidade dos pacientes que convivem com o dispositivo, profissionais da clínica médica do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) trocaram o papel de cuidadores pelo de pacientes durante uma dinâmica de sensibilização promovida na unidade.
A iniciativa permitiu que enfermeiros e técnicos de enfermagem experimentassem parte dos desafios enfrentados diariamente por pessoas que utilizam bolsas de estomia. O dispositivo é utilizado por pacientes que passaram por cirurgias no intestino ou no sistema urinário, permitindo a coleta de fezes ou urina por meio de uma abertura criada no abdômen. Mais do que reforçar conhecimentos técnicos, a proposta buscou desenvolver empatia e fortalecer a humanização no atendimento prestado aos pacientes.
A ação foi realizada no HRSM, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), diante do aumento do número de pacientes atendidos na unidade que passaram por cirurgias e necessitam utilizar bolsas de estomia, seja em decorrência de câncer ou de outras condições clínicas complexas.
“Muitos profissionais ainda tinham insegurança para realizar alguns cuidados e demonstravam receio por falta de familiaridade com a situação. Então pensamos em uma estratégia que pudesse aproximar a equipe dessa experiência”, explica Vitor Firmino, enfermeiro estomaterapeuta do HRSM.
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Cada participante recebeu uma bolsa de estomia para fixar no próprio abdômen e foi orientado a realizar os cuidados de rotina necessários para o uso do dispositivo. O desafio era permanecer o maior tempo possível utilizando a bolsa durante as atividades do dia a dia.
Para tornar a experiência ainda mais motivadora, a ação contou com premiações para os participantes que permanecessem mais tempo na dinâmica. Entre os brindes estavam almoços em restaurantes, chocolates, bolos e até sessões de hidratação capilar.
Quando a experiência muda o olhar
A proposta rapidamente conquistou adesão entre os profissionais. Cerca de 60% da equipe da Clínica Médica participou voluntariamente da atividade, reunindo aproximadamente 30 colaboradores. Uma das idealizadoras da iniciativa, a estomaterapeuta Cristiane Fernandes, conta que o resultado foi além do esperado.
“Nosso objetivo era reforçar os conhecimentos técnicos, mas fomos surpreendidos pela sensibilidade de cada participante. Ao vivenciar na prática os desafios de usar uma bolsa de estomia, eles passaram a enxergar essa realidade de forma muito mais humana”, destaca.
Entre os participantes estava a enfermeira Edna Soares, que já acompanhou familiares que precisaram utilizar o dispositivo. Para ela, a experiência proporcionou uma nova compreensão sobre as dificuldades enfrentadas pelos pacientes.
“Mesmo por pouco tempo, foi possível perceber o desconforto que ela provoca. A pele fica irritada, surge a coceira, é difícil encontrar uma posição confortável para dormir e isso acaba gerando desgaste emocional. Além das limitações físicas, muitas pessoas enfrentam vergonha, insegurança e receio de passar por situações constrangedoras”, relata.
Segundo Edna, compreender essas dificuldades faz diferença na forma de acolher e orientar quem passa por esse processo. “Hoje existem bolsas mais seguras e confortáveis, que oferecem mais qualidade de vida. Por isso, também precisamos incentivar a independência e mostrar que é possível manter a rotina, conviver socialmente e seguir em frente sem se sentir excluído”, afirma.
Para a enfermeira, a iniciativa reforçou a importância de um atendimento cada vez mais humanizado. “Foi uma vivência muito rica. Quem precisa usar esse dispositivo merece ser tratado com respeito, atenção e sensibilidade. Estamos falando de pessoas que necessitam não apenas de assistência, mas também de compreensão e acolhimento”, conclui.
*Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)
Fonte: Agência Brasília
