PF atribui a Augusto Lima criação de carteiras fraudulentas vendidas pelo Master ao BRB

Investigação aponta que ex-sócio de Daniel Vorcaro teria intermediado operações envolvendo bilhões de reais; defesa nega irregularidades e afirma que pagamentos recebidos correspondem a serviços prestados

A Polícia Federal atribui ao empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, participação na criação de carteiras de crédito consideradas fraudulentas e posteriormente repassadas ao Banco de Brasília (BRB).

As informações constam dos documentos da investigação divulgados neste domingo (13). Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, as apurações indicam que o BRB adquiriu aproximadamente R$ 12,2 bilhões em Cédulas de Crédito Bancário cuja autenticidade passou a ser questionada. O prejuízo estimado para a instituição pública seria de pelo menos R$ 5 bilhões.

De acordo com a linha investigativa da PF, Augusto Lima teria atuado na estruturação e na intermediação das operações. O empresário é criador do Credcesta e controlador da empresa Terra Firme, além de ter integrado o quadro societário do Banco Master.

Parte das carteiras negociadas teria origem em operações de crédito consignado associadas à Tirreno, empresa que, segundo os investigadores, mantinha vínculos com Lima. A Polícia Federal também analisa pagamentos recebidos por empresas ligadas ao empresário que teriam ocorrido em períodos próximos às liberações de recursos do BRB ao Master.

Os investigadores buscam esclarecer se os valores eram referentes a serviços efetivamente prestados ou se estavam relacionados à movimentação das carteiras investigadas. A PF solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para aprofundar a análise dos dados bancários e fiscais dos envolvidos.

Uma reportagem anterior do UOL revelou mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, Augusto Lima e outros executivos do Banco Master. Os diálogos indicariam que Lima mantinha participação nas tratativas envolvendo o BRB mesmo depois de sua saída formal da sociedade, ocorrida em maio de 2024.

Nas conversas analisadas pelos investigadores, Augusto Lima aparece como interlocutor em negociações relacionadas à liberação de operações de crédito. Para a Polícia Federal, as mensagens ajudariam a demonstrar como foram estruturadas as carteiras posteriormente oferecidas ao banco público.

A investigação também procura identificar quem tinha conhecimento da real situação financeira do Master e da qualidade dos ativos negociados com o BRB.

BRB identificou inconsistências

O próprio Banco de Brasília informou que identificou inconsistências nas carteiras adquiridas e contratou uma auditoria forense independente, conduzida pelo escritório Machado Meyer com suporte técnico da consultoria Kroll.

Segundo o BRB, os resultados do trabalho foram encaminhados à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal, ao Banco Central, à Comissão de Valores Mobiliários e a outras autoridades competentes.

A instituição afirma que as informações levantadas pela auditoria contribuíram para o avanço das investigações. A atual gestão também ressalta que eventuais condutas de antigos dirigentes não devem ser confundidas com a atuação do banco.

A defesa de Augusto Lima rejeita as suspeitas e sustenta que o empresário se desligou formalmente do Banco Master em maio de 2024. Os advogados também afirmam que os pagamentos recebidos pelas empresas relacionadas a Lima correspondem a serviços regularmente prestados.

Os defensores contestam a interpretação das provas e alegam que algumas das suspeitas já teriam sido analisadas anteriormente. Augusto Lima ainda não foi julgado, e as responsabilidades individuais permanecem sob investigação.

O caso integra as apurações sobre as operações realizadas entre o Banco Master e o BRB. A Polícia Federal continua analisando documentos, mensagens, transações financeiras e os papéis desempenhados pelos empresários e antigos dirigentes das instituições.

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