Escolas mobilizaram estudantes, famílias e comunidades em programação especial pelo Dia do Campo nesta sexta (17)
O Distrito Federal consolidou, nos últimos anos, uma das maiores redes de educação do campo do país. São 85 escolas distribuídas em regiões como Planaltina, Paranoá, Brazlândia e Ceilândia, um número que coloca a rede pública do DF entre as que mais concentram unidades voltadas ao ensino no meio rural no Brasil.
Além de garantir matrícula, a presença dessas escolas encurta distâncias históricas. Em territórios onde o deslocamento até áreas urbanas pode levar horas, a escola próxima de casa representa permanência, segurança e continuidade dos estudos. É também um ponto de encontro das comunidades, onde a rotina escolar se mistura com a vida no campo.
Nesta sexta-feira (17), quando se celebra o Dia do Campo, as unidades da rede transformaram essa realidade em pauta dentro e fora da sala de aula. A data foi marcada por atividades que envolveram estudantes, professores e famílias, reforçando o papel dessas escolas na formação e no fortalecimento dos vínculos comunitários.
No Centro de Ensino Fundamental (CEF) Bonsucesso, em Planaltina, mais de 500 estudantes participaram de uma programação ao ar livre realizada na Chácara 49. A agenda incluiu caminhada coletiva e ações educativas voltadas à conscientização ambiental e à qualidade de vida. Ao longo do dia, os alunos ocuparam o espaço externo como extensão da escola, em uma dinâmica que valoriza o território onde vivem.
- Mais de 1,7 mil casos de LER/Dort são registrados na rede pública do DF em 2025
- Prazo final para adesão à venda direta em Arniqueira é prorrogado até quarta-feira (22)
- Carreta do programa Agora Tem Especialistas chega ao Paranoá com serviços de saúde da mulher
- Prazo para pagamento do ISS é prorrogado para até 8 de maio
- Família do Sol Nascente é beneficiada com o programa Melhorias Habitacionais
Entre os participantes da caminhada, o estudante Miguel Gonçalves destacou a experiência de aprender em contato direto com o ambiente fora da sala de aula. “Além de ser uma atividade muito rica, amplia nossa visão. Em vez de ficar só na escola, a gente aprende também fora dela, conhecendo árvores importantes, rios e muitas outras coisas que fazem parte do nosso território.”
A proposta dialoga diretamente com a realidade da educação do campo: integrar ensino e vivência. Em vez de tratar o ambiente rural como cenário distante, as atividades colocam o estudante como protagonista da própria realidade.
Na Escola Classe (EC) Guariroba, o olhar dos alunos sobre o lugar onde vivem ganhou forma em maquetes produzidas por eles mesmos. As estruturas representavam moradias e elementos do cotidiano local, aproximando conteúdo pedagógico e experiência prática. A exposição reuniu familiares e moradores da região.
Moradora do setor de chácaras, a mãe de Zaion Moura, Luciete Moura, destacou a diferença que a escola faz na comunidade. “Facilita muito e tem mais segurança. Temos mais acesso aos professores, cria vínculo e isso se fosse na cidade não teria como.”
Na área rural de Ceilândia, a celebração mobilizou todas as escolas do campo da regional. Além da Escola Classe (EC) Jiboia, o CEF Boa Esperança, a Escola Classe (EC) Lajes da Jiboia, o CED Incra 9 e a Escola Classe (EC) Córrego das Corujas também realizaram atividades em alusão à data, reforçando o alcance das ações e a força da educação do campo nas comunidades rurais.
De acordo com a coordenadora intermediária das Instituições de Ensino Públicas do Campo de Ceilândia, Thailisa Katiele Batista de Oliveira, a mobilização reforça a identidade das escolas do campo e o papel dessas unidades na formação dos estudantes. “Celebrar o Dia do Campo é reconhecer a trajetória dessas comunidades e valorizar uma educação conectada ao território, à cultura local e às vivências dos nossos estudantes. Essas escolas cumprem um papel fundamental para garantir acesso, permanência e aprendizagem.”
Para a mãe Amanda Oliveira, de 28 anos, a presença da unidade na região é determinante para o futuro das crianças. “A escola aqui perto faz toda a diferença. Sem ela, seria muito mais difícil garantir o acesso das crianças à educação.”
A dimensão da rede de escolas do campo no DF vai além dos números. Em regiões como Planaltina e Brazlândia, onde há forte presença de áreas produtivas e comunidades tradicionais, as unidades escolares funcionam como eixo estruturante da vida local.
Além do currículo regular, muitas dessas escolas desenvolvem atividades que dialogam com a realidade rural, promovendo educação ambiental, valorização do território e práticas pedagógicas conectadas ao cotidiano dos estudantes.
A capilaridade da rede também contribui para reduzir desigualdades. Ao garantir ensino próximo de casa, a Secretaria de Educação (SEEDF) diminui a evasão escolar, amplia o acesso e fortalece o vínculo entre estudante e escola, um dos principais desafios em áreas rurais.
No DF, a educação do campo segue como política estruturante. E, para quem vive longe do centro, isso faz toda a diferença no presente e no futuro.
*Com informações da SEEDF
Fonte: Agência Brasília
