De origem quilombola, Elielson Pereira atua há cinco anos na Chapada dos Veadeiros (GO) por meio da agência Céu de Gaia Astroturismo, que oferece atividades imersivas nos territórios Kalunga e Avá-Canoeiro. Em busca de crescimento, ele encontrou no Fundo Geral de Turismo (Fungetur) um apoio que vai muito além da simples apresentação de soluções financeiras.
Para o empreendedor, o diferencial da política pública está no olhar sensível às desigualdades históricas. “O encontro me trouxe esperança, já que sinto dificuldades de acesso a recursos. Parabenizo a iniciativa, que chegou para mim como um verdadeiro letramento financeiro”, afirmou Elielson. Ele foi um dos participantes do webinar “Rotas Negras em Ação: oportunidades e acesso ao Fungetur”, promovido pelo Ministério do Turismo (MTur) em parceria com a Associação Brasileira de Afroturismo (Abrafro).
A ação integra a programação oficial do Governo Federal para o Novembro Negro 2026 e tem como foco o desenvolvimento do afroempreendedorismo no turismo. Durante o encontro virtual, empreendedores puderam se conectar a instrumentos práticos de sustentabilidade e expansão comercial.
A iniciativa também impactou Tâmara Azevedo Cardoso, da Bahia Turismo e Arte, empresa com 16 anos de mercado em Salvador (BA). “O Fungetur é fantástico em relação às taxas de juros e tem uma carência excelente. Acredito que o Fundo pode contribuir, e muito, para o nosso crescimento”, destacou.
Thayná Cambará Beraldo, da Bela Oyá Pantanal, iniciativa de inovação social em Corumbá (MS), destacou a importância de aproximar o Fungetur das particularidades do afroempreendedorismo. “Essa articulação com o programa Rotas Negras e a ABRAFRO é fundamental para que os negócios do segmento cresçam e se sustentem. Quando ampliamos nossa atuação, fazemos com que mais recursos circulem no próprio território”, avaliou.
FUNGETUR – Principal ferramenta de crédito do Ministério do Turismo, o Fungetur disponibiliza mais de R$ 1 bilhão para empreendimentos turísticos em 2026. A linha oferece financiamentos de até R$ 15 milhões, com taxas de juros competitivas (até 5% ao ano acrescidas do INPC). Os prazos chegam a 120 meses para aquisição de bens e capital de giro, e a 240 meses para obras e reformas, com carência de até cinco anos, dependendo da finalidade do crédito.
“Muitas vezes, o que falta a um empreendedor é a oportunidade de acessar os recursos necessários para transformar seu potencial em realidade. Aproximar os negócios do afroturismo das linhas de financiamento do Fungetur é fazer com que essas iniciativas cresçam e ocupem cada vez mais espaço no mercado turístico brasileiro. Nosso papel é fazer com que as oportunidades cheguem a quem tem muito a contribuir para o desenvolvimento do país”, afirmou o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.
CRÉDITO – O acesso ao crédito pode ser o passo que faltava para tirar grandes ideias do papel. Para os empreendedores do afroturismo, conhecer as linhas do Fungetur representa a chance de expandir negócios, modernizar infraestruturas e fortalecer iniciativas que valorizam a cultura afro-brasileira, movimentando a economia local. Beth Brusco, idealizadora da Afrovia, empreendimento em fase de estruturação, passou a considerar o financiamento após conhecer as possibilidades do fundo. “Foi muito interessante entender como o Fungetur pode me ajudar nessa nova jornada”, relatou.
AMPLIANDO O ACESSO – Para reforçar a inclusão, o Ministério do Turismo implementou recentemente a obrigatoriedade do preenchimento dos campos de raça, etnia e gênero no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur). A mudança visa aprimorar a formulação de políticas públicas, direcionar a qualificação profissional e mapear o acesso ao crédito, produzindo dados reais para combater as desigualdades no setor. Com o registro ativo no Cadastur, a linha de crédito abrange transportadores turísticos, pequenas pousadas, agências de viagens, locadoras de veículos, cafeterias, bares e restaurantes, entre outros negócios da cadeia.
MEIS DO TURISMO – Além disso, a política pública alcança microempreendedores individuais (MEIs) do turismo que possuem cadastro regular no CadÚnico. Com limite de crédito de até R$ 21 mil, o Fungetur também pode ser acessado por guias de turismo, motoristas, vendedores ambulantes de alimentos e bebidas e artesãos, fortalecendo a base econômica do setor.
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Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

