Por Cris Oliveira
Quem critica o poder, mas nunca largou a cadeira
Liberdade de expressão virou desculpa conveniente para quem confunde cargo público com palanque pessoal. Critica o sistema, posa de rebelde, mas continua pendurado nele. Cargo comissionado, dedicação exclusiva, salário pago com dinheiro público — e ainda assim age como se estivesse acima das regras que assinou quando entrou. Rebeldia de gabinete não é enfrentamento; é encenação.
Cargo comissionado não é herança
Quem está há 15 anos na política e ainda faz drama ao perder cargo comissionado ou está se fazendo de inocente, ou acha que o eleitor é bobo. Cargo de confiança é isso: confiança. Não é estabilidade, não é direito adquirido e muito menos espaço para posar de perseguida quando a cadeira some.
Quer bater no governo? Desce do cargo
O cúmulo da incoerência é querer “meter o pau” no governo do próprio partido ocupando função estratégica na liderança. Se quer atacar, ataque mas sem segurar o crachá como se fosse blindagem. Criticar o governo e exigir permanência no cargo ao mesmo tempo não é coragem; é conveniência política.
Drama
Quando a exoneração chega, tentam vender como censura, terror e perseguição, como se fosse novela. Não é. É política real, com consequência e memória. Palco não substitui trabalho e ética cabe em qualquer serviço público.
Perseguição: o último refúgio de quem errou
Quando a conta chega, vem a ladainha da perseguição. Reclama-se de críticas, inventa-se “clima de terror”, dramatiza-se exoneração como se fosse censura. Não é. Exoneração é consequência administrativa. Regra conhecida não vira abuso só porque deixou de ser confortável. Quem vive do sistema não pode fingir surpresa quando o sistema reage.
O DF cansou de ser feito de trouxa
O DF está cansado de votar no escuro e eleger deputado federal figurante: bom de foto, ausente no trabalho e invisível quando a capital precisa de força, verba e cobrança dura. Ou o voto para deputado federal passa a ser levado a sério, ou a fatura continuará chegando em hospitais lotados, promessas vazias e mandatos de maquiagem. Brasília não aguenta mais ser enganada com discurso bonito e entrega nenhuma.
Izalci Lucas: mais Goiás, menos Brasília
Na prática, o senador decidiu que o Distrito Federal pode esperar sentado. Foram R$ 23,37 milhões para municípios goianos e míseros R$ 9,9 milhões para a saúde do DF. A desculpa é o velho discurso do “desafogar Brasília”. Na realidade, é o DF bancando o discurso bonito enquanto continua sufocado em filas, leitos escassos e corredores lotados. O dinheiro atravessa a divisa. A crise fica aqui.
Fred Linhares: o mantra que não cura
Repetiu-se o script: R$ 13,6 milhões para Goiás sob o argumento de aliviar o sistema do DF. Só esqueceram de avisar a fila do SUS. Desafogar onde? A espera continua, o atendimento emperra e a transparência sobre resultados é quase zero. Discurso não salva vida. Atendimento salva.
Brasília em terceiro plano
Foi além da simbologia: R$ 18 milhões para Goiás e apenas R$ 6 milhões para o DF. Não é descuido, é escolha política. Quando a capital recebe um terço do que vai para fora, o recado é claro: Brasília não é prioridade. Chamam de integração regional para não chamar de abandono institucional.
Damares Alves: o óbvio virou exceção
No meio da bancada, fez o básico que virou raridade: priorizou o DF. Foram R$ 22,8 milhões para Brasília e R$ 11,2 milhões para Goiás. O contraste escancara o absurdo: cumprir o papel virou exceção, quando deveria ser regra mínima de quem se elegeu pelo Distrito Federal.
