O Sistema Único de Saúde (SUS) deu início a um estudo inédito que poderá abrir caminho para a utilização das chamadas canetas emagrecedoras na rede pública brasileira. A pesquisa, conduzida pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS), vai acompanhar 250 pacientes com obesidade grave durante 24 meses para avaliar tanto os resultados clínicos quanto o impacto financeiro da adoção da medicação pelo SUS.
A primeira aplicação da semaglutida, princípio ativo utilizado no estudo, foi realizada nesta sexta-feira (26), durante cerimônia no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), marcando oficialmente o início do projeto-piloto.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o Brasil está entre os primeiros países a testar esse tipo de tratamento em um sistema público universal de saúde. Segundo o ministro, a pesquisa permitirá avaliar se o medicamento pode reduzir a necessidade de cirurgias bariátricas ou preparar pacientes que hoje não possuem condições clínicas para serem submetidos ao procedimento.
Estudo vai avaliar eficácia, segurança e custos
Além de monitorar a perda de peso dos participantes, os pesquisadores acompanharão possíveis efeitos colaterais, a evolução clínica, a qualidade de vida e os custos envolvidos no tratamento. A proposta é produzir evidências científicas que possam subsidiar futuras decisões sobre a incorporação da semaglutida ao SUS.
Outro ponto considerado estratégico pelo Ministério da Saúde é a redução do custo do medicamento, atualmente disponível apenas na rede privada. A expectativa é que o fortalecimento da produção nacional contribua para ampliar o acesso da população e reduzir os preços.
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Obesidade cresce no Brasil
Dados apresentados durante o lançamento do estudo mostram que a obesidade continua avançando no país. Levantamento do Ministério da Saúde aponta que a proporção de brasileiros com obesidade passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024.
No mesmo período, os tratamentos relacionados à doença no SUS cresceram 57% entre 2022 e 2025.
No cenário mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 1 bilhão de pessoas convivam com a obesidade.
Projeto será voltado para pacientes da fila da bariátrica
Batizado de Real-Bari, o estudo atenderá exclusivamente pacientes que já aguardam cirurgia bariátrica pelo SUS e são acompanhados pelo Hospital Nossa Senhora da Conceição.
Os participantes deverão apresentar obesidade grave, com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 40 kg/m² ou acima de 35 kg/m² associado a doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidemia ou apneia do sono.
Entre os pacientes atendidos pela instituição, 91% apresentam obesidade mórbida, enquanto menos da metade reúne condições clínicas para realizar a cirurgia bariátrica imediatamente.
Segundo os pesquisadores, a utilização da semaglutida poderá funcionar como uma “ponte” para a cirurgia, reduzindo riscos e melhorando as condições de saúde antes do procedimento.
Tratamento vai além da medicação
Os responsáveis pelo projeto ressaltam que o tratamento não será baseado apenas no uso da caneta emagrecedora. Os pacientes receberão acompanhamento multidisciplinar, incluindo orientação nutricional, incentivo à prática de atividades físicas e acompanhamento médico contínuo.
A endocrinologista Kátia Elisabete Pires Souto, integrante da pesquisa, reforçou que a obesidade é uma doença crônica e que o tratamento deve combinar mudanças no estilo de vida com novas tecnologias terapêuticas.
O estudo será acompanhado pelo Ministério da Saúde durante todas as etapas e poderá servir de referência para futuras políticas públicas voltadas ao tratamento da obesidade no Brasil.
Por Cris Oliveira
Blog da Cris – Mulheres Falando de Política
