Armazém Solidário oferece alimentos até 50% mais baratos para famílias de baixa renda em São Paulo

Programa atende inscritos no CadÚnico, recebe cerca de 4 mil consumidores por dia e já comercializou 26 milhões de produtos desde 2024

O brasileiro gasta, em média, R$ 1.073,98 por mês em supermercados. O valor representa aproximadamente 66% do salário mínimo e foi identificado em uma pesquisa realizada pela Dunnhumby com mais de 10 mil consumidores, entre fevereiro e abril de 2026.

O levantamento, divulgado pela CNN, mostra ainda que o peso da alimentação no orçamento tem levado as famílias a buscar diferentes estratégias para economizar. A maioria dos entrevistados afirmou dividir as compras entre até quatro estabelecimentos, comparando preços e aproveitando promoções. Entre os consumidores consultados, 74% frequentam redes de supermercados e 63% recorrem também a varejistas e atacadistas.

Diante da alta no custo dos alimentos, a Prefeitura de São Paulo mantém o programa Armazém Solidário, que oferece produtos com preços entre 30% e 50% menores do que os encontrados em supermercados e atacarejos da região.

Criado em janeiro de 2024, o programa é coordenado pela Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento (SESANA) e destinado às famílias com inscrição ativa no Cadastro Único para Programas Sociais, o CadÚnico.

Sete unidades atendem cerca de 4 mil pessoas por dia

São Paulo conta atualmente com sete unidades do Armazém Solidário. A prefeitura prevê inaugurar mais duas lojas ainda em 2026 e outras sete até 2028.

Juntas, as unidades recebem aproximadamente 4 mil consumidores por dia. Desde a implantação do programa até junho de 2026, mais de 1,7 milhão de pessoas passaram pelos estabelecimentos, que comercializaram cerca de 26 milhões de itens.

Uma das unidades fica na Estrada do M’Boi Mirim, na região do Jardim Ângela. Inaugurado em agosto de 2025, o local é considerado o maior e mais moderno da rede.

O aposentado Manuel Alves, morador da região, afirma conseguir comprar mais de 30 produtos, entre ovos, arroz, feijão, frutas, frango e carne, gastando menos de R$ 200.

“Dá tranquilo para o mês inteiro. Os produtos do Armazém Solidário são sensacionais. Todas as hortaliças custando R$ 1,99. Dá para aproveitar, comer bem e ainda pagar outras contas. Se fosse em outro supermercado, eu pagaria o dobro”, relatou em entrevista à Rede Vida.

Diferença de preços chega à metade do valor

Alguns produtos apresentam diferenças expressivas em relação aos mercados convencionais. O pepino comum, por exemplo, é vendido por R$ 2,49 nos Armazéns Solidários, enquanto pode chegar a R$ 6,92 em outros estabelecimentos.

O pepino japonês custa R$ 5,79 nas unidades do programa. Nos atacarejos pesquisados, o mesmo produto foi encontrado por até R$ 12,77 — mais que o dobro do preço.

O tomate, que registrou alta de 82,41%, é comercializado por R$ 2,49 nos Armazéns, ante R$ 4,95 em outros mercados. A economia também aparece em produtos como pão de queijo, alho e costelinha suína.

Confira alguns exemplos:

Produto Armazém Solidário Outros estabelecimentos
Pepino comum R$ 2,49 R$ 6,92
Pepino japonês R$ 5,79 R$ 12,77
Tomate R$ 2,49 R$ 4,95
Pão de queijo – 1 kg R$ 21,99 R$ 43,90
Alho – 1 kg R$ 10,99 R$ 21,77
Costelinha suína – 500 g R$ 13,59 R$ 25,85

Economia ajuda aposentados a manter alimentação saudável

Também aposentada, Neide Pereira conta que conseguiu comprar os alimentos recomendados pelo médico para ajudar no controle da hipertensão. Segundo ela, a economia permitiu reservar parte da renda para o pagamento da conta de energia.

“Encontrei todos os produtos que o meu médico mandou eu comer. Os preços são muito bons. Sobrou R$ 230 neste mês para a conta de luz. Se eu fizesse essa compra em outro supermercado, gastaria mais de R$ 400. Aqui, gastei menos de R$ 200”, afirmou ao programa Vida Melhor.

Programa prioriza alimentos saudáveis

Os Armazéns Solidários não comercializam bebidas alcoólicas, refrigerantes nem determinados produtos ultraprocessados. A proposta é priorizar alimentos naturais, orgânicos ou minimamente processados.

Por meio de uma parceria com o Sampa+Rural, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, o programa também compra alimentos produzidos por agricultores da cidade. A iniciativa incentiva a agricultura local e amplia a oferta de frutas, legumes e verduras frescas e sem agrotóxicos.

Para o secretário-executivo de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento, Vitor Arruda, o aumento no custo de vida ampliou a procura pelas unidades.

“Com os alimentos mais caros, muitas pessoas passaram a procurar os Armazéns Solidários para conseguir economizar e colocar comida na mesa. Aqui elas encontram muito mais do que produtos a preços acessíveis. Encontram um espaço feito com cuidado, carinho e respeito”, declarou.

Segundo o secretário, o objetivo do programa não é concorrer com os estabelecimentos comerciais, mas assegurar alimentação, acolhimento e dignidade às famílias em situação de vulnerabilidade.

São Paulo recebeu reconhecimento internacional

Em dezembro de 2025, a cidade de São Paulo foi reconhecida pelo Guinness World Records como responsável pelo maior programa municipal de segurança alimentar do mundo.

De acordo com a prefeitura, mais de 933 toneladas de alimentos foram distribuídas em um período de 24 horas. A rede municipal também alcançou a marca de mais de 3 milhões de refeições gratuitas por dia, considerando refeições prontas, alimentos in natura e cestas básicas destinadas à população de baixa renda.

Além dos Armazéns Solidários, a SESANA administra programas como a Rede Cozinha Cidadã, responsável por distribuir 15 mil refeições diariamente, e a Rede Cozinha Escola, composta por 65 unidades que oferecem, juntas, 26 mil pratos por dia.

A estrutura inclui ainda Banco de Alimentos, mercados, sacolões municipais, feiras livres, centrais de abastecimento e o programa Cidade Solidária, que realiza a distribuição de cestas básicas. Ao todo, a secretaria administra aproximadamente 200 equipamentos públicos ligados à segurança alimentar na capital paulista.

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