A ativista política e feminista Amelinha Teles faleceu nesta terça-feira (15), aos 81 anos. Ela foi presa em 28 de dezembro de 1972 e levada à Operação Bandeirantes (Oban), onde sofreu sessões de tortura.
Amelinha foi submetida a castigos pelo major do exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, que na época comandava o DOI-Codi de São Paulo. Segundo o projeto Memórias da Ditadura, seu marido, César Augusto Teles, e seu companheiro de militância, Carlos Nicolau Danielli, também foram detidos pelo órgão de repressão. Ela presenciou o assassinato de Danielli.
Na época, seus filhos, Edson e Janaína, com 4 e 5 anos, também foram sequestrados e levados à Oban, onde testemunharam as torturas dos pais.
Amelinha Teles, que foi uma das participantes do Jornal Brasil Mulher na década de 1970, teve um papel significativo na implementação da Lei Maria da Penha, atuando como advogada e formadora de Promotoras Legais Populares.
Violações de direitos
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Amelinha foi uma das entrevistadas do podcast Perdas e Danos, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A segunda temporada, lançada este ano, investigou os benefícios obtidos por alguns durante o regime de exceção que começou em 1964.
Ela também participou de uma pesquisa coordenada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), intitulada “Responsabilidades de empresas por violações de direitos durante a ditadura”.
Uma de suas declarações ressalta a necessidade de confrontar o passado:
“Nós temos que enfrentar o passado, sim, porque o presente está sendo ameaçado o tempo todo com os fantasmas do passado. Não adianta, não tem que virar a página, não dá para virar a página. A página tem que ser lida e compreendida, depois é que você vira, entendeu?”
A pesquisadora também refletiu sobre a perda coletiva que representa a morte de alguém que lutou pelo fortalecimento democrático do Brasil:
“Cada pessoa que é assassinada, que está na luta junto com a gente, que a gente não volta mais a falar com ela, é nossa experiência de construção dos valores democráticos que nós perdemos. Nós vamos perdendo, perdendo, então a gente fica reduzida até no campo das ideias. Você começa a ter medo de pensar na liberdade, na criação, sabe? Expandir ideias. E nós precisamos recuperar isso.”
A Rede de Desenvolvimento Humano prestou homenagem a Amelinha em sua conta no Instagram.
“Hoje perdemos nossa companheira Amelinha Teles, mas a história da luta das mulheres brasileiras perde muito mais do que uma militante: perde uma mulher que fez da coragem, da memória e da resistência uma forma de vida.”
A Rede também destacou: “Sua voz, sua indignação e sua capacidade de transformar dor em luta continuarão entre nós; porque mulheres como Amelinha não partem por inteiro: ficam nas batalhas que ajudaram a construir, nas companheiras que inspiraram e no mundo mais justo que nunca deixaram de sonhar e lutar para construir.”
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Fonte: Agência Brasil
