Visita de cachorrinha a paciente com câncer termina em reconciliação entre mãe e filho no HRSM

Internada no Hospital Regional de Santa Maria, Taise Bezerra reencontrou a cadela Nala e recebeu uma surpresa: a presença do filho, com quem não conversava havia mais de um mês

Um encontro organizado para aliviar a saudade de uma cachorrinha acabou proporcionando uma reconciliação familiar no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM). Taise Bezerra, de 47 anos, recebeu a visita de Nala Cristina, de três anos, no feriado de 2 de novembro. Quem levou o animal foi o filho da paciente, com quem ela não conversava havia mais de um mês.

Entre abraços e lágrimas, mãe e filho conversaram e fizeram as pazes. A surpresa tornou ainda mais especial a visita aguardada por Taise, que está internada para acompanhamento de um câncer de colo do útero com metástases.

“A surpresa foi o meu filho. Eu estava sem conversar com ele havia algum tempo, e foi ele quem trouxe a Nala para mim. A gente se abraçou muito, se perdoou. Foi uma das partes mais bonitas desse encontro”, contou.

Somente neste ano, Taise passou por quatro internações, que somam aproximadamente 130 dias longe de casa. No HRSM, administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), ela recebe acompanhamento das equipes de Clínica Médica e Cuidados Paliativos.

Durante esse período, a saudade da família e de Nala acompanha a rotina da paciente. O vínculo com a cachorrinha é tão forte que Taise fez uma tatuagem em homenagem a ela.

Mesmo no hospital, procura participar dos cuidados e acompanhar o dia a dia do animal. Nas conversas com o marido, responsável por Nala em casa, pede para vê-la por videochamada e saber como está.

Pedido acolhido pela equipe

A visita começou a ser organizada depois que Taise compartilhou com os profissionais o desejo de reencontrar a cachorrinha. A equipe de Cuidados Paliativos acolheu o pedido e preparou o encontro conforme as normas e orientações da instituição.

Taise sabia que receberia Nala no feriado, mas não esperava que a visita também encerrasse o afastamento do filho.

“Foi maravilhoso. Talvez, se não fosse esse momento que a equipe me proporcionou, esse encontro tão lindo não tivesse acontecido. Foi muito importante para mim”, afirmou.

Para a paciente, a presença da cachorrinha também representou uma oportunidade de se aproximar da rotina de casa e dos vínculos afetivos mantidos durante as longas internações.

Atenção à história de cada paciente

A enfermeira paliativista Leia Lima explica que conhecer a história, os valores e as relações importantes para cada pessoa faz parte do acompanhamento oferecido pela equipe.

“É a partir da construção desse vínculo que o paciente começa a compartilhar conosco o que tem significado em sua vida, quais são seus valores e o que considera sagrado. No caso da Taise, percebemos o quanto a Nala era importante. Ela tem até a cachorrinha tatuada no braço. Então, entendemos que proporcionar essa visita seria algo muito especial para ela”, relatou.

Segundo a profissional, o trabalho considera, além dos sintomas físicos, as necessidades emocionais, sociais e espirituais dos pacientes. No caso de Taise, o acompanhamento está voltado ao controle dos sintomas e à qualidade de vida.

“Nos cuidados paliativos, enxergamos o paciente como um ser humano que tem uma história, e não apenas como um diagnóstico. Cada pessoa carrega sua trajetória, seus vínculos e seus valores. Nosso papel é reconhecer tudo isso e buscar maneiras de proporcionar momentos que façam sentido para ela”, destacou Leia.

O reencontro mobilizou também os profissionais que acompanharam a visita. Para a enfermeira, a reação de Taise demonstrou a importância de acolher desejos que nem sempre aparecem nos procedimentos e nas rotinas hospitalares.

O pedido para rever Nala se transformou, assim, em uma lembrança compartilhada por mãe e filho, que encontraram naquele momento uma oportunidade de retomar o diálogo.

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