Com a chegada da menopausa, muitas mulheres passam a reduzir cargas e intensidade nos treinos por receio de lesões ou pela ideia de que exercícios mais leves seriam mais adequados à idade. Um estudo publicado em 2026 na revista científica Bone Reports, no entanto, sugere que essa lógica pode ser revista.
Pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá, acompanharam mulheres de 45 a 60 anos, na perimenopausa ou nos primeiros anos após a menopausa, durante nove meses. Parte delas realizou musculação com cargas progressivamente mais altas, associada a exercícios de impacto, duas vezes por semana.
Ao final do período, as participantes apresentaram aumento de massa muscular, melhora da potência das pernas, ganhos expressivos de força e aumento da densidade mineral óssea da coluna lombar.
Para Anderson Moraes, personal trainer e sócio-proprietário da Academia Seven7Play, em Curitiba, e da XPlay, em Ponta Grossa, o resultado reforça que envelhecer não significa necessariamente diminuir a intensidade dos exercícios.
“Quando a mulher chega aos 45 ou 50 anos, muitas vezes começa um processo de proteção excessiva: tira carga, reduz intensidade e evita determinados exercícios. Mas músculo e osso precisam continuar recebendo estímulo. O importante é treinar de forma progressiva e adequada à condição de cada pessoa”, afirma.
- Farmácias de Alto Custo do DF antecipam atendimentos de sexta para quarta-feira
- Anvisa proíbe venda de picolé com melatonina e suplemento de proteína
- Dengue: 3 milhões de adolescentes estão com vacinação incompleta
- Mudanças climáticas já causam aumento de doenças infecciosas no país
- Mais Médicos Especialistas oferece 224 vagas imediatas em nova chamada
Intensidade com segurança
No estudo, as mulheres passaram por um período de adaptação antes de chegar às cargas mais elevadas. Segundo Anderson, esse é um ponto fundamental para interpretar os resultados.
“Treino pesado é individual. O que é pesado para uma pessoa pode não ser para outra. Segurança não significa treino fácil. Significa boa execução, progressão de carga, escolha correta dos exercícios e acompanhamento”, explica.
Outro aspecto destacado pela pesquisa é a frequência: as participantes treinavam apenas duas vezes por semana.
“Não é necessário passar todos os dias na academia para obter resultado. Para muitas pessoas, duas ou três sessões bem planejadas e consistentes podem ser mais eficientes do que uma rotina frequente, mas sem intensidade ou organização”, afirma.
Menopausa é período importante para preservar força e ossos
A menopausa está associada à aceleração da perda óssea e à redução progressiva de massa e potência muscular. Por isso, segundo Anderson, o treinamento de força nessa fase vai muito além da estética.
“Estamos falando de construir uma reserva física para o futuro: ter força para subir escadas, levantar de uma cadeira, carregar compras e manter independência ao longo dos anos”, diz.
O especialista ressalta, porém, que o estudo não significa que toda mulher deva começar imediatamente a levantar cargas elevadas.
“Não é uma recomendação para sair treinando pesado de um dia para o outro. O ponto é questionar a ideia de que, depois de determinada idade, todo exercício precisa ser leve. Com orientação e progressão, o corpo pode e deve continuar sendo desafiado.”
O estudo acompanhou 40 participantes e os próprios pesquisadores destacam que trabalhos maiores ainda são necessários para confirmar os resultados.
Sobre Anderson Moraes
Anderson Moraes é empresário, consultor e especialista em negócios fitness, com atuação na implantação, estruturação e crescimento de academias em todo o Brasil. Fundador da Moraes Trainer & Business e CEO das academias Seven7Play, em Curitiba e da XPlay, em Ponta Grossa, atua com planejamento estratégico, viabilidade financeira, estrutura operacional, gestão, seleção de equipamentos e desenvolvimento de processos para operações fitness.

