“Hoje eu tenho para onde ir”: resgatada de cativeiro, Emiliane é acolhida por Celina Leão no DF

“Hoje eu tenho para onde ir”: resgatada de cativeiro, Emiliane é acolhida por Celina Leão no DF

“Hoje eu tenho para onde ir.”

A frase dita pela técnica de enfermagem Emiliane Tamara Nunes de Carvalho resume o encontro que ela teve nesta quarta-feira (26) com a governadora Celina Leão, no Palácio do Buriti.

Depois de viver dias de horror e ser encontrada amarrada e acorrentada em um imóvel em Águas Lindas de Goiás, Emiliane agora tenta reconstruir a vida ao lado dos dois filhos. Durante a conversa com a governadora, ela falou sobre o medo, a insegurança e uma pergunta que a acompanhava quando ouvia que precisava sair de onde estava: para onde iria com as crianças?

“Eu ficava me perguntando: eu vou pra onde? Eu vou pra onde? Pra onde que eu vou com os meus dois filhos sozinha?”, contou.

A resposta começou a ganhar forma nesta quarta. Durante o encontro, Celina colocou a estrutura do Governo do Distrito Federal à disposição de Emiliane. Segundo a governadora, a técnica de enfermagem deve se mudar para o DF com os filhos e poderá ser atendida por programas como o Aluguel Social e o Viva Flor, além de receber acompanhamento psicológico.

“Uma segunda possibilidade de vida”

Emocionada, Emiliane agradeceu o acolhimento e disse que, depois de tudo o que viveu, saber que terá um lugar seguro para ficar com os filhos representa uma nova oportunidade.

“Hoje eu tenho para onde ir. Hoje eu tive uma segunda possibilidade de vida”, afirmou.

Ela também falou sobre o futuro das crianças e o desejo de proporcionar segurança e educação aos filhos nessa nova fase.

“A partir de hoje eu sou mãe solo. Que eles possam ter um estudo de qualidade no Distrito Federal e que eles possam ser acolhidos como eu fui aqui”, disse.

Celina também se emocionou com o relato e afirmou que o encontro no Buriti era, antes de tudo, um gesto de acolhimento.

“Ouvir o relato dela, não tem como não se impactar e não ter uma solidariedade muito forte. Essa situação horrorizou o Brasil inteiro”, declarou.

A governadora ainda chamou atenção para outro problema enfrentado por mulheres vítimas de violência: o julgamento que muitas continuam sofrendo mesmo depois de denunciarem seus agressores.

“Ela denunciou e, mesmo assim, ainda sofre uma revitimização. É um julgamento da própria sociedade”, disse Celina.

Ao final da conversa, a governadora reforçou que Emiliane terá apoio da rede de proteção do Distrito Federal.

“Sinta-se acolhida por nós. A gente tem uma política muito firme aqui de combate à violência contra as mulheres”, afirmou.

O caso

Emiliane ficou desaparecida por cinco dias até ser localizada pela polícia na última sexta-feira (21), em Águas Lindas de Goiás. Ela foi encontrada amarrada, amordaçada e presa por correntes.

O ex-marido foi preso durante a operação e teve a prisão preventiva decretada. O caso permanece sob investigação da Polícia Civil de Goiás.

Agora, enquanto a investigação segue, Emiliane se prepara para uma mudança que vai muito além de endereço. Ela pretende vir para o Distrito Federal com os dois filhos e começar uma nova etapa.

Depois de perguntar tantas vezes para onde poderia ir, ela saiu do encontro no Buriti com uma resposta: “Hoje eu tenho para onde ir.”

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