Roda de capoeira da Torre de TV pode virar Patrimônio Cultural Imaterial do DF

Projeto apresentado na Câmara Legislativa busca reconhecer manifestação realizada há cerca de 26 anos em Brasília e destaca contribuição de Mestre Kall para a preservação da tradição

Uma tradição que há cerca de 26 anos reúne capoeiristas aos pés de um dos principais cartões-postais de Brasília pode ganhar reconhecimento oficial. Projeto apresentado pelo deputado distrital Martins Machado (Republicanos) propõe declarar a Roda da Torre como Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal.

Realizada nas imediações da Torre de TV de Brasília, a roda reúne praticantes de diferentes grupos, escolas, linhagens e vertentes da capoeira. Segundo a justificativa da proposta, os encontros ocorrem regularmente, em periodicidade quinzenal, tradicionalmente aos domingos.

O projeto destaca a importância da Roda da Torre não apenas como prática cultural, mas também como espaço de convivência, aprendizado e transmissão dos fundamentos da capoeira entre diferentes gerações.

A proposta ainda precisa cumprir a tramitação legislativa. Portanto, a Roda da Torre ainda não foi declarada patrimônio por essa proposição.

Tradição de aproximadamente 26 anos

De acordo com o texto apresentado à Câmara Legislativa, a continuidade da Roda da Torre ao longo de aproximadamente 26 anos é um dos principais fundamentos para o reconhecimento.

Nesse período, o espaço teria se consolidado como ponto de encontro de capoeiristas de diferentes partes do Brasil e também do exterior.

A diversidade é apontada no projeto como uma das características da roda. Participam dos encontros integrantes de diferentes grupos, escolas, estilos e linhagens, preservando suas próprias identidades e compartilhando os fundamentos comuns da capoeira.

Para os autores da iniciativa, essa convivência contribui para a transmissão de conhecimentos e para a preservação da memória da manifestação cultural.

Encontro aos pés da Torre de TV

A localização também ajuda a conferir uma identidade própria à roda.

A manifestação ocorre nas imediações da Torre de TV, no coração de Brasília, aproximando uma expressão tradicional da cultura brasileira de um dos espaços mais conhecidos da capital.

Segundo a justificativa do projeto, a Roda da Torre ganhou projeção para além do Distrito Federal com a participação de capoeiristas provenientes de outros estados e países.

O documento menciona ainda um registro produzido pelo fotógrafo André Cypriano, em 2009, que retrata a Roda da Torre de TV de Brasília e, segundo a justificativa, integra o acervo da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

O registro é citado pelo autor do projeto como uma demonstração da projeção alcançada pela manifestação cultural ao longo dos anos.

Projeto reconhece atuação de Mestre Kall

A proposta também dedica atenção especial a José Carlos Alves Pereira, conhecido como Mestre Kall.

O texto reconhece sua contribuição para a continuidade, preservação e valorização da Roda da Torre, principalmente pela atuação permanente na condução dos encontros e na transmissão dos fundamentos, tradições e valores da capoeira.

De acordo com a justificativa, Mestre Kall desempenha papel central na realização da roda e tradicionalmente assume o berimbau gunga, instrumento de referência na condução da roda de capoeira.

O projeto destaca ainda sua atuação na manutenção da disciplina, organização e respeito entre os participantes.

Capoeira já é patrimônio cultural do DF

A iniciativa busca avançar sobre um reconhecimento que já existe de forma mais ampla no Distrito Federal.

A própria justificativa lembra que a Lei nº 6.169, de 3 de julho de 2018, declarou a capoeira Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal.

O novo projeto pretende reconhecer especificamente a Roda da Torre como uma das manifestações vivas dessa tradição na capital.

Segundo a proposta, o reconhecimento considera não apenas a prática da capoeira, mas também os vínculos criados ao redor dela: convivência entre gerações, musicalidade, transmissão de conhecimentos, respeito às tradições e integração entre diferentes grupos.

O projeto foi apresentado a pedido da Volta ao Mundo Bambas (VMB) e da Federação de Capoeira Competitiva do Estado do Rio de Janeiro (FCCRJ), conforme consta da justificativa.

Agora, a proposição deverá passar pela tramitação na Câmara Legislativa antes de uma eventual aprovação e posterior sanção.

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