Distrito Federal está entre os três estados com mais processos por LGBTQIAPN+fobia no Brasil, aponta levantamento

Estudo divulgado durante o Mês do Orgulho revela crescimento expressivo das ações judiciais relacionadas à discriminação por orientação sexual e identidade de gênero entre 2023 e 2026

O Distrito Federal ocupa a terceira posição no ranking nacional de processos relacionados à LGBTQIAPN+fobia, segundo levantamento divulgado pelo Escavador durante o Mês do Orgulho LGBTQIAPN+. Entre 2023 e 2026, foram identificadas 64 ações judiciais envolvendo casos de intolerância, discriminação ou injúria motivadas por orientação sexual, identidade ou expressão de gênero.

O estudo analisou processos registrados nos tribunais brasileiros e identificou um total de 541 ações no período. Desse total, 361 processos estão relacionados à intolerância ou injúria por orientação sexual e outros 180 envolvem identidade ou expressão de gênero.

O levantamento foi divulgado às vésperas dos sete anos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que em 13 de junho de 2019 equiparou os crimes de homofobia e transfobia aos crimes previstos na Lei do Racismo (Lei nº 7.716/89), diante da ausência de legislação específica aprovada pelo Congresso Nacional.

Segundo a coordenadora jurídica e DPO do Escavador, Dalila Pinheiro, a falta de uma tipificação própria para crimes de LGBTQIAPN+fobia dificulta a produção de estatísticas precisas sobre o tema.

“A ausência de uma classificação específica faz com que muitos casos sejam registrados sob categorias genéricas da Lei do Racismo ou como crimes contra a honra, o que limita a compreensão da dimensão real dessas violências e dificulta a formulação de políticas públicas mais eficazes”, explica.

Crescimento acelerado

Os dados mostram um crescimento significativo no número de processos ao longo dos últimos anos. Em 2023, foram registrados apenas 22 casos em todo o país. Em 2024, esse número subiu para 40 ações.

O salto mais expressivo ocorreu em 2025, quando os tribunais brasileiros registraram 265 processos — um aumento de 562% em comparação ao ano anterior.

A tendência de alta continua em 2026. Apenas nos cinco primeiros meses do ano já foram contabilizados 214 processos, o equivalente a cerca de 80% de todas as ações registradas durante o ano passado.

Ranking dos estados

Minas Gerais lidera o ranking nacional com 170 processos registrados entre 2023 e 2026. O Ceará aparece na segunda posição, com 87 casos. O Distrito Federal ocupa o terceiro lugar, com 64 processos.

Na sequência aparecem:

  • São Paulo: 39
  • Sergipe: 28
  • Bahia: 28
  • Goiás: 19
  • Rondônia: 16
  • Rio de Janeiro: 13
  • Tocantins: 10

Distribuição por região

A Região Sudeste concentra o maior número de processos relacionados à LGBTQIAPN+fobia, com 224 registros. Em seguida aparecem:

  • Nordeste: 158
  • Centro-Oeste: 92
  • Norte: 41
  • Sul: 19
  • Não informado/Outros: 7

Especialistas alertam que os números podem ser ainda maiores, já que muitos casos acabam enquadrados em categorias genéricas de injúria ou crimes contra a honra, sem identificação específica da motivação LGBTQIAPN+fóbica.

Sugestão de foto: bandeira LGBTQIAPN+ em frente ao Congresso Nacional ou imagem de ato em defesa dos direitos da comunidade LGBTQIAPN+ em Brasília.

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Por Cris Oliveira – Jornalista | Blog da Cris
Especialista em política, políticas públicas, empreendedorismo e cobertura institucional.

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