Parada LGBTI+ do Rio de Janeiro terá como tema “toda forma de amor” em 2026

Com o tema “Reconhecemos justa toda forma de amor e de existência”, a cidade do Rio de Janeiro receberá, no dia 22 de novembro, a 31ª edição da Parada do Orgulho LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, intersexuais e outras identidades de gênero e orientações sexuais). O evento ocorrerá na orla da praia de Copacabana.

O tema propõe um debate sobre os direitos conquistados pela comunidade LGBTI+, como os 15 anos de reconhecimento da união civil entre casais homoafetivos, a criminalização da LGBTfobia e o direito de pessoas transexuais e travestis à retificação do nome.

Para o ativista Claudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+, instituição responsável pela organização da Parada do Orgulho no Rio, o objetivo é celebrar as conquistas e conscientizar sobre os direitos, sem perder de vista as reivindicações políticas.

“O direito ao casamento no Brasil foi uma conquista importante para a comunidade, mas é uma conquista ainda em processo. É importante dizer que o direito existe e que ele precisa ser respeitado na sua íntegra, lutar para que seja legitimado no âmbito do Congresso Nacional”, disse.

Claudio Nascimento ressalta que há uma postura omissa do Congresso em relação a uma lei que assegure o casamento homoafetivo. Ele também destaca que os direitos de pessoas transexuais fazem parte das reivindicações.

“Coisas básicas, como por exemplo o direito a usar o banheiro feminino, no caso de mulheres trans, que ainda permanece provocado por uma iniciativa de setores da extrema direita. Criando situações para impedir o mínimo de dignidade em necessidades básicas. Direito ao trabalho, saúde, hormonoterapia, a gente precisa reivindicar políticas públicas para pessoas trans”.

No ano passado, o evento atraiu centenas de milhares de pessoas, com mais de 100 atrações e 15 trios elétricos na Avenida Atlântica. Neste ano, a Parada aposta em novas iniciativas e um calendário de atividades para engajar a comunidade.

Programação

A 31ª Parada do Orgulho LGBTI+ Rio pretende movimentar a cidade com mais de 30 eventos até novembro, voltados para cultura, cidadania e direitos humanos.

O primeiro pré-evento ocorrerá na próxima segunda-feira (25), com o Sarau “Memórias dos afetos, herança de nossos amores e de nossas lutas”, que apresentará a história de cinco casais LGBTI+, que compartilharão suas memórias em um evento aberto ao público no Teatro Carlos Gomes.

Entre os participantes estão a vereadora Mônica Benicio, viúva da então vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, e Claudio Nascimento, viúvo de Adauto Belarmino, com quem realizou o primeiro casamento público gay do Brasil em 1994.

As atividades abordarão diferentes eixos temáticos ligados à promoção da cidadania LGBTI+, ampliando o alcance das discussões sobre inclusão, cultura e representatividade por meio de ações artísticas e institucionais.

“O nosso povo encontrou uma maneira própria de reivindicar direitos, celebrando a sua própria existência e denunciando os preconceitos e reivindicando políticas públicas. É assim que nasceu a Parada em 1995”, celebra Claudio, ao discordar de quem diz que o evento foi se descredibilizando ao longo dos anos.

“As coisas não precisam estar radicalmente dissociadas. Elas podem estar vinculadas e ser, ao mesmo tempo, celebração e ao mesmo tempo ser politização”.

Patrocínio

Com base em dados de 2024 da Escola Superior de Propaganda e Marketing, Claudio Nascimento aponta que a Parada do Orgulho gera recursos em torno de 25 milhões a 30 milhões de reais em impostos para o Rio de Janeiro. No entanto, a organização ainda enfrenta dificuldades em relação a investimentos e patrocínios. Ele enfatiza que investir no evento é também investir em mais recursos para a cidade.

“Nós conseguiríamos trazer, inclusive, mais divisas econômicas para a própria cidade investir em outras políticas públicas, não só para a nossa comunidade como para os cariocas como um todo”.

Claudio destaca que campanhas publicitárias em datas específicas, como o Dia do Orgulho, não promovem uma transformação real se a iniciativa privada não se engajar em outras áreas de suporte para a comunidade LGBTI+.

“Isso não é uma denúncia, é um apelo, é um pedido para que as empresas se envolvam mais e se comprometam mais com o tema dos direitos humanos e da diversidade da comunidade. Que não fique somente no dia do orgulho, porque orgulho é todo dia”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil

Nos siga no Google Notícias

Últimas Notícias