Formação reúne educadores e reforça inclusão e direitos humanos nas escolas
A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) realizou, na última semana, o Encontro Formativo Povos Indígenas e Itinerantes, reunindo pontos focais em direitos humanos das Coordenações Regionais de Ensino (CREs). A atividade ocorreu na sede da pasta e integrou a agenda de formação continuada voltada à inclusão e à valorização da diversidade cultural nas escolas.
Conduzido pelo técnico da Gerência de Diversidade e Inclusão (GDIN), Erick das Neves, o encontro abordou fundamentos da educação escolar indígena, a chamada pedagogia da retomada, e o uso de referências e materiais produzidos por povos originários. A proposta foi alinhar práticas pedagógicas à realidade de estudantes indígenas e itinerantes presentes na rede pública.
Educação e direitos humanos
Para a diretora de Serviços de Apoio à Aprendizagem, Direitos Humanos e Diversidade, Patrícia Melo, a formação cumpre papel estratégico no enfrentamento de desigualdades dentro do ambiente escolar.
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“O ambiente escolar, muitas vezes, reflete as violências sistêmicas existentes na sociedade. Por essa razão, esses espaços de formação continuada e de letramentos em direitos humanos que promovemos, orientam e norteiam os profissionais da SEEDF no acolhimento aos estudantes e na garantia de seus direitos”, afirmou.
A gestora também destacou a necessidade de atualização permanente dos profissionais da educação. “São fundamentais e cada vez mais necessários para o conhecimento acerca da legislação vigente e das estratégias pedagógicas que promovem a inclusão e a equidade. Ainda há muito a avançar, mas essa formação de hoje sobre os Povos Indígenas e Povos Itinerantes nos alimenta a esperança no potencial de transformação das nossas instituições educacionais e no atendimento adequado e culturalmente sensível aos nossos estudantes indígenas”.
Formação além do calendário
Ao conduzir o encontro, Erick das Neves chamou a atenção para a importância de tratar o tema de forma contínua ao longo do ano letivo. “A pauta indígena não pode ficar restrita a abril. Ela deve ser um eixo permanente em todo o período letivo. Por meio desses ciclos formativos, nossa diretoria busca sensibilizar o olhar pedagógico, conferindo subjetividade e humanidade às normas técnicas que orientam o sistema educacional”, ressaltou.
A programação ocorreu de forma concomitante ao Acampamento Terra Livre (ATL) 2026, que é a 22ª edição da maior mobilização indígena do Brasil, realizada entre os dias 5 e 11 de abril, no Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília. Com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, o evento reuniu cerca de sete mil indígenas vindos de todo o Brasil, com foco nas demarcações de terras e no enfrentamento da crise climática.
Diálogo ampliado
Como desdobramento da programação, os participantes foram convidados a acompanhar o seminário “Cultura e pensamento indígenas: saberes que resistem, palavras que persistem”, realizado no Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.
O encontro reuniu colaboradores da Revista Pihhy, educadores, pesquisadores e interessados na temática indígena, incluindo nomes de destaque, como Daniel Munduruku, Vangri Kaingang e Ana Maria Kariri. A publicação já conta com 12 edições online, além de minidocumentários e cerca de 20 audiolivros produzidos a partir de conteúdos de autoria indígena.
A iniciativa também reforçou a importância de reconhecer e valorizar a produção intelectual indígena nos campos educacional e político.
*Com informações da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF)
Fonte: Agência Brasília
