No Dia da Visibilidade Trans, HGG, por meio do Serviço Especializado do Processo Transexualizador – Ambulatório TX, passa a realizar cirurgias complementares de redesignação sexual com uso de laser de CO² (Foto: Augusto Galvão)
A partir desta quinta-feira (29/01), o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG), por meio do Serviço Especializado do Processo Transexualizador – Ambulatório TX, passa a realizar cirurgias complementares de redesignação sexual com o uso de laser de CO².
A técnica, minimamente invasiva, garante uma recuperação mais acelerada e menor gasto hospitalar por paciente. Ao longo do dia, cinco pacientes serão operadas com a nova técnica. Elas serão as primeiras a realizar esta cirurgia com uso de laser na rede pública de saúde de Goiás.
Chefe do Serviço Especializado do Processo Transexualizador, a médica ginecologista Bruna Landeiro explica que, em muitos casos, as cirurgias complementares ou “retoques” são necessários para aprimorar a estética, a funcionalidade e o conforto do paciente. Esses ajustes podem incluir correções de cicatrizes, refinamentos funcionais (como urologia) ou procedimentos para alcançar o contorno corporal desejado.
Ela reforça ainda que o uso do laser promove uma cicatrização mais rápida, o que garante o retorno das atividades cotidianas em menos tempo.
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“Com este novo método cirúrgico, teremos um procedimento menos invasivo com incisões microscópicas, recuperação mais rápida, redução da dor e inchaço no pós-operatório, além de menor sangramento devido à cauterização simultânea. A alta precisão aumenta a segurança, minimiza riscos de infecção e preserva tecidos saudáveis”, afirmou.
Dia Nacional da Visibilidade Trans
O dia 29 de janeiro também é conhecido o Dia Nacional da Visibilidade Trans, dia em que se reforça a luta pelo fim da violência, da discriminação e dos retrocessos em direitos de cidadania para a população trans. Além da força-tarefa de cirurgias, a unidade também vai comemorar a data com hasteamento da bandeira do Orgulho Trans, içada no topo do prédio.
Goiás, por meio do HGG, é o estado que mais realiza cirurgias de redesignação sexual e procedimentos complementares à redesignação no Brasil.
Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, conforme dados do DataSUS, Goiás realizou 91 procedimentos do tipo, enquanto o Rio de Janeiro (segundo colocado) registrou 56 cirurgias, e o Rio Grande do Sul fez 54 cirurgias de redesignação.
Redesignação sexual
O número alcançado se refere apenas ao período em que o Serviço de Identidade de Gênero, Transexualidade e Desvios da Diferenciação Sexual – Ambulatório TX do HGG passou a ser habilitado pelo Ministério da Saúde nas modalidades ambulatorial e hospitalar. Antes da habilitação, a unidade já vinha realizando este tipo de cirurgia.
A redesignação sexual é um procedimento cirúrgico que altera as características genitais de uma pessoa para que correspondam ao gênero com o qual se identifica. Também em relação às mulheres trans, o HGG realiza, desde 2021, cirurgias de colocação de prótese mamária, além de oito cirurgias complementares.
Em 2024, o HGG também passou a ofertar a cirurgia de tireoplastia. O procedimento consiste na redução da proeminência laríngea, popularmente conhecida como pomo-de-adão. Só o HGG oferta este serviço em toda a rede estadual de saúde.
Para os homens trans, o hospital oferta as cirurgias de histerectomia, que consiste na retirada do útero, e mastectomia, procedimento para retirada das mamas.
Modernização do Atendimento
Além das cirurgias a laser que passarão a ser ofertadas, o HGG conta com o atendimento em saúde para a população trans mais completo e moderno do país. Em 2025, o hospital passou a ofertar a dispensação de medicamentos para hormonioterapia.
Com isso, os pacientes trans podem ter acesso aos hormônios na própria unidade, com acompanhamento de um farmacêutico. Sem o acompanhamento adequado, muitos homens e mulheres trans iniciam a hormonização por conta própria, o que pode gerar complicações no fígado e doenças como osteoporose.
Outra melhoria que também passou a ser ofertada é a terapia de readequação vocal. O hospital adquiriu um software que analisa a voz dos pacientes e produz um diagnóstico. A partir dos dados produzidos pelo programa, os fonoaudiólogos da unidade traçam estratégias para criar exercícios para adequar a voz ao gênero dos pacientes.
A terapia de readequação vocal no Programa Transexualizador do HGG procura modificar e até adequar a frequência da voz, por meio de ajustes supralaríngeos, seja trabalhando a mudança de grave para agudo, ou do agudo para o grave, com laserterapia vocal, exercícios de suavização, articulação da fala e postura.
A aquisição do software atende a demanda de pacientes que sofrem de disforia vocal, um desconforto que é caracterizado pela percepção de desconexão entre a voz percebida e a voz desejada, o que contribui significativamente para a angústia relatada por pessoas transexuais.
Projeto TX
Criado em 2017 para oferecer acompanhamento médico e multiprofissional a transexuais, travestis e outras identidades de gênero, o Serviço de Identidade de Gênero, Transexualidade e Desvios da Diferenciação Sexual – Ambulatório TX já realizou 20.536 atendimentos, 5.025 só no ano passado.
O HGG foi a primeira unidade pública estadual a oferecer tal serviço em Goiás com atendimentos ambulatoriais, estabelecendo uma rede de cuidados e de acordo com as normatizações do Ministério da Saúde.
O Serviço Especializado do Processo Transexualizador – Ambulatório TX oferece atendimento médico e multiprofissional a pessoas transexuais e travestis. A assistência contempla tanto o acompanhamento ambulatorial quanto hospitalar, abrangendo avaliação clínica, hormonioterapia e cuidados pré e pós-operatórios.
No âmbito ambulatorial, os pacientes são acompanhados por equipe interdisciplinar e multiprofissional composta por psiquiatria, psicologia, assistência social, endocrinologia, clínica geral e enfermagem.
Já na assistência hospitalar, o serviço realiza procedimentos cirúrgicos e o respectivo acompanhamento pré e pós-operatório, com atuação integrada das especialidades de ginecologia, urologia, cirurgia plástica, endocrinologia, enfermagem, psiquiatria, psicologia, assistência social e fonoaudiologia.
