Por meio de aplicativo do GDF, atendimento em Libras estará disponível no Tribunal Regional Eleitoral para eleitores surdos do DF

Uso de QR Codes conecta usuários à Central de Interpretação e antecipa modelo para o período eleitoral

O secretário da Pessoa com Deficiência, Willian Ferreira da Cunha, ressalta o papel da iniciativa na ampliação do acesso aos serviços públicos e afirma que a inclusão é um princípio central. “O DF Libras garante interpretação em tempo real, promovendo acessibilidade comunicacional em diversos atendimentos, inclusive nos serviços eleitorais. Essa iniciativa amplia a autonomia da comunidade surda, permite participação plena e fortalece o compromisso do Distrito Federal com serviços públicos mais inclusivos, eficientes e de qualidade”, declara.

O material com os QR Codes foi distribuído no início desta semana, juntamente com o treinamento das equipes de atendimento, com o objetivo de preparar o sistema para situações reais de votação e acesso a serviços eleitorais. A Central é vinculada à Secretaria da Pessoa com Deficiência (SEPD-DF) e tem como objetivo ampliar o acesso a direitos e reduzir barreiras de comunicação em órgãos públicos.

O programa existe desde 2024 e já foi implantado em unidades públicas de saúde, delegacias e ouvidorias do DF. Segundo o diretor de Comunicação Acessível da SEPD-DF, Alexandre Castro, a ferramenta amplia a autonomia da população surda no atendimento: “É um marco para Brasília. Agora conseguimos trazer, nessa parceria com o TRE, essa acessibilidade para os cartórios do Distrito Federal. A pessoa surda pode ser mais autônoma, não precisa de alguém para acompanhá-la e pode ser atendida na sua própria língua”.

Como funciona

O sistema funciona por aplicativo, com intérpretes disponíveis em tempo integral e sem consumo de dados para o usuário. O serviço é acionado por meio de videochamada, em que o tradutor transmite a demanda oral ao ouvinte e, em seguida, a interpreta em Libras para a pessoa surda. “Funciona 24 horas, todos os dias da semana, e tem internet patrocinada, ou seja, não consome o pacote de dados de quem está utilizando durante a chamada, sendo necessária conexão apenas para abrir o aplicativo”, explica Alexandre.

O professor e diretor da Central de Libras, Waldimar Carvalho, avalia que a tecnologia melhora a comunicação nos serviços públicos. Pertencente à comunidade surda, ele compara a realidade anterior com a atual e destaca a independência proporcionada pelo sistema.

“Antigamente a gente sofria bastante, precisava procurar um intérprete disponível e muitas vezes era difícil. Agora nós percebemos essa diferença: por meio do QR Code, podemos nos comunicar de forma independente, é muito fácil. Essa inclusão é importante para toda a comunidade, porque agora podem interagir no mesmo espaço e entender claramente o que está sendo passado pelo servidor. Eu sou surdo, tenho muita experiência com barreira comunicacional e digo que agora é independência mesmo”, observa.

Também usuário do sistema, o professor Gustavo Oliveira aponta a mudança no acesso aos serviços: “Antes nós íamos aos locais e não havia acessibilidade comunicacional, precisávamos escrever ou tentar nos fazer entender, o que era muito difícil para os surdos, pois há palavras que não conhecemos no português. Agora é muito simples: basta escanear um QR Code e fazer uma chamada de vídeo em Libras para interpretar o que precisamos”.

Eleições próximas

Todos os serviços eleitorais — como troca de domicílio eleitoral, alteração de local de votação, emissão do título ou coleta de biometria — continuam disponíveis e gratuitos, agora com o suporte do novo modelo de atendimento.

O porta-voz do TRE-DF, Fernando Velloso, afirma que a iniciativa reforça o compromisso da Justiça Eleitoral com a acessibilidade: “Estamos sempre muito preocupados em oferecer acessibilidade para aquelas pessoas que precisam de um atendimento especial, então essa é mais uma ação muito importante para criar esse vínculo e essa facilidade para a população.”

O representante também alerta para o prazo de regularização do título, com o fechamento do cadastro eleitoral previsto para o dia 6 de maio. “Estamos a menos de um mês desse prazo, e as pessoas que não conseguirem regularizar ou emitir o seu título até essa data não poderão fazê-lo até o final do segundo turno eleitoral. Então é importante vir o quanto antes, porque as filas e a procura vão começar a aumentar”, alerta.

As unidades estão distribuídas no Lago Sul, Sobradinho, Gama, Ceilândia e Plano Piloto (Na Hora da Rodoviária), além do Edifício-Sede do TRE-DF (Central de Atendimento ao Eleitor), localizado no Setor de Indústria Gráfica, Quadra 2 — todas com o serviço de atendimento a pessoas com deficiência auditiva disponibilizado nesta semana.

Fonte: Agência Brasília

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