Uma mulher vítima de violência que procurar ajuda na igreja ou em uma instituição social poderá encontrar uma liderança preparada para acolhê-la e mostrar o caminho até os serviços oficiais de proteção.
Essa é a proposta do Aliança Protetiva, novo programa criado pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e oficializado no Diário Oficial desta segunda-feira (17).
A ideia é aproveitar justamente a proximidade que igrejas, instituições religiosas, organizações sociais e lideranças comunitárias mantêm com a população.
Esses espaços muitas vezes conhecem de perto as famílias da comunidade e podem ser procurados por uma mulher antes mesmo de ela decidir buscar uma delegacia ou serviço especializado.
Agora, as instituições que aderirem voluntariamente ao programa poderão receber capacitação da SSP para reconhecer situações de violência, acolher a vítima corretamente e encaminhá-la à Rede de Proteção.
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E existe um cuidado importante no texto.
O protocolo da Segurança Pública determina que o acolhimento deve respeitar a autonomia da mulher e evitar qualquer conduta que reforce culpa, submissão, silêncio ou reconciliação forçada.
Isso significa que a função da liderança não será convencer a mulher a permanecer em uma relação violenta, mas acolher, orientar e facilitar o acesso aos serviços especializados.
As instituições também não substituirão delegacias, polícia, Justiça ou os demais órgãos responsáveis pela proteção das vítimas. A própria portaria deixa claro que o trabalho será complementar.
As entidades participantes deverão manter os contatos da Rede de Proteção atualizados e incentivar o encaminhamento das vítimas aos canais oficiais.
A SSP ainda pretende acompanhar quantas igrejas e organizações participam, quantas lideranças são capacitadas e quantos encaminhamentos à rede especializada são realizados.
É uma iniciativa que aposta em algo muito presente na vida das comunidades: a primeira pessoa para quem uma vítima conta o que está acontecendo nem sempre é um policial ou servidor público. Preparar quem recebe esse primeiro pedido de ajuda pode fazer diferença no caminho até a proteção adequada
