Escrita e memória no cárcere: internas da PFDF participam de projeto inédito de ressocialização

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“Cada uma de nós compõe a sua história. E cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz.” O verso da canção Tocando em Frente, entoado no encerramento da primeira oficina, resumiu o espírito do projeto (Re)Escrevendo Vidas: Vozes Femininas no Cárcere, lançado nesta terça-feira (9) na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF).

A iniciativa é conduzida pelo Núcleo de Controle e Fiscalização do Sistema Prisional (Nupri), em parceria com a PFDF e o Centro Educacional 1 (CED 1). O objetivo é promover oficinas de escrita e memória autobiográfica que fortaleçam a autoestima, ampliem os vínculos sociais e deem visibilidade às vozes femininas produzidas no ambiente prisional.


Histórias que inspiram transformação

Logo no primeiro encontro, uma dinâmica trouxe um relato emocionante: mãe e filha, separadas no passado pela dependência química e pelo ressentimento, compartilharam lado a lado o exercício da escrita. O gesto simbolizou uma reconciliação construída no cárcere, depois de anos de afastamento. O convívio e a produção de textos abriram espaço para o diálogo e o perdão, transformando a relação em apoio mútuo.


Oficinas semanais e coletânea de textos

As atividades ocorrerão semanalmente até outubro, com inspiração em livros como Em Busca de Mim (Viola Davis), A Sapatilha que Mudou Meu Mundo (Ingrid Silva) e Quarto de Despejo (Carolina Maria de Jesus). Ao final, uma coletânea de textos produzidos pelas participantes será lançada em formato digital e impresso, ampliando a visibilidade das narrativas femininas do cárcere.

A diretora da PFDF, Kamila Mendonça, destacou a relevância da ação:

“Toda ação que contribui para a ressocialização tem um valor imensurável. Projetos como este ampliam horizontes, fortalecem vínculos e mostram que a educação e a cultura são caminhos concretos para a reintegração social.”


Ressocialização e inovação no sistema prisional

O promotor de justiça Pedro Luna ressaltou que a proposta é inédita no âmbito do Ministério Público brasileiro e tem potencial de ser replicada em outros estados:

“Iniciamos esse projeto para fortalecer vínculos familiares e sociais, prevenir a reincidência criminal e ampliar alternativas de reintegração.”

A promotora de justiça Raquel Tiveron, coordenadora do Nupri, reforçou o valor humano da iniciativa:

“Dar início a este ciclo de oficinas é abrir caminhos para que vozes antes silenciadas se expressem com autenticidade. São histórias que revelam força, identidade e reconstrução.”

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