Ricardo Cappelli (PSB) tentou de tudo um pouco para chegar conhecido à campanha pelo Governo do Distrito Federal. Dirigiu como motorista de aplicativo, percorreu o DF de ônibus e chegou a dormir na casa de moradores durante uma pré-campanha construída justamente para aproximá-lo do eleitor.
O esforço, pelo menos até agora, não foi suficiente para transformar exposição em intenção de voto.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21) coloca Cappelli com 3% das intenções de voto na disputa pelo Palácio do Buriti.
O candidato do PSB aparece numericamente na quinta posição. Celina Leão (PP) tem 30%, José Roberto Arruda (PSD), 28%, Leandro Grass (PT), 11%, e Paula Belmonte (PSDB), 4%.
O resultado chega justamente quando a campanha oficial começa e expõe aquele que talvez seja o principal problema da candidatura de Cappelli: tornar-se conhecido por uma parcela maior do eleitorado e transformar conhecimento em voto.
De Uber a hóspede na casa de moradores
Cappelli não esperou a campanha oficial para tentar romper essa barreira.
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Durante a pré-campanha, o candidato apostou em ações pouco convencionais para percorrer o Distrito Federal e entrar em contato diretamente com moradores.
Uma delas foi trabalhar como motorista por aplicativo, usando as corridas também como oportunidade para conversar com passageiros e conhecer as demandas das regiões por onde circulava.
Em outra frente, utilizou o transporte público, percorreu trajetos de ônibus e buscou experimentar a rotina enfrentada diariamente por trabalhadores do DF.
Cappelli também adotou uma estratégia ainda mais pessoal: passou noites na casa de moradores de diferentes regiões, numa tentativa de conhecer de perto a realidade das famílias e ampliar sua presença fora do Plano Piloto.
As iniciativas renderam conteúdo para as redes sociais, agendas públicas e exposição durante a pré-campanha.
Nas pesquisas, entretanto, a candidatura ainda não conseguiu alcançar o mesmo movimento.
Pesquisas mantêm candidatura em um dígito
O Datafolha não é o único levantamento recente a mostrar dificuldades para Cappelli ganhar tração.
No Igape divulgado em 17 de agosto, o candidato registrou 3,5%.
Dois dias depois, levantamento Real Time Big Data mostrou Cappelli com 5% em um dos cenários testados.
Agora, o Datafolha registra 3%.
Embora os levantamentos tenham metodologias próprias, a fotografia produzida por eles aponta para a mesma dificuldade política: Cappelli permanece na faixa de um dígito e distante dos candidatos que ocupam as primeiras posições.
E esse é um problema especialmente relevante para alguém que entrou na pré-campanha precisando construir conhecimento eleitoral.
Cappelli possui currículo no governo federal e ocupou cargos de projeção nacional, mas não tinha no Distrito Federal uma trajetória eleitoral comparável à de adversários que já passaram pelas urnas ou comandaram estruturas políticas locais.
Sua pré-campanha foi, em grande medida, uma tentativa de superar justamente essa barreira.
Até aqui, os números indicam que a estratégia ainda não conseguiu criar a popularidade eleitoral necessária para impulsioná-lo na disputa pelo Buriti.
