O que seria apenas o trajeto até a maternidade terminou com um parto dentro do carro e minutos de apreensão até a chegada ao hospital. A pequena Diana surpreendeu a família ao nascer antes do previsto e mobilizou a equipe do Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal.
A unidade é administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal, que realizou os primeiros cuidados ainda na chegada à unidade.
“Eu ainda não consigo colocar em palavras tudo o que aconteceu. É tudo muito novo, é minha primeira filha. Jamais pensei que viveria um parto assim, dentro do carro”, conta a mãe, Mariana Dickinson, emocionada ao relembrar a experiência.
Trabalho de parto evoluiu rapidamente
Na manhã da última sexta-feira (20), Mariana procurou um hospital particular na Asa Sul, onde havia planejado o nascimento. As contrações já tinham começado e, após avaliação médica, recebeu orientação para retornar para casa, no Gama.
Algumas horas depois, o trabalho de parto evoluiu de forma acelerada.
“Cheguei em casa, tomei banho e fui me deitar. As contrações ficaram muito mais intensas, uma atrás da outra. Senti uma ardência diferente. Minha sogra comentou que poderia ser a dilatação avançando. Pouco depois, percebi que a bolsa havia rompido”, relata.
Diante da rapidez dos acontecimentos, a família decidiu seguir para o hospital público mais próximo, o HRSM. Mas Diana tinha pressa.
“No caminho, minha sogra olhou e disse que a minha filha já estava nascendo”, lembra Mariana. O companheiro, Rafael Dutra, que dirigia o veículo, parou imediatamente. Foi quando a avó paterna, Maria Luciene Feitosa, orientou que ele seguisse até o hospital enquanto ela assumia o apoio ao parto.
Coragem e instinto
Colaboradora na sede administrativa do IgesDF, Maria Luciene nunca havia vivenciado situação semelhante. Ainda assim, agiu movida pelo instinto e pela necessidade do momento.
“Quando vi, metade do rostinho já estava para fora. A Mariana estava muito cansada, mas eu pedia que respirasse fundo e fizesse força. A gente só pedia a Deus que desse tudo certo”, recorda.
Após o nascimento, veio o momento de maior tensão: a bebê não chorava imediatamente.
“Eu precisava manter a calma. Com muito cuidado, ajudei a desobstruir a boquinha dela. Em seguida, quando ela finalmente chorou, meu coração se acalmou e só agradeci”, relata a avó, emocionada.
Atendimento imediato no hospital
Ao chegarem ao HRSM, ainda dentro do carro, a avó avisou aos seguranças que o parto havia ocorrido no veículo e que o cordão umbilical ainda não tinha sido cortado. A equipe médica foi acionada rapidamente.
A ginecologista e obstetra da unidade, Gabriela Dornelas, conta que a resposta foi imediata.
“Sempre deixo algumas luvas extras no bolso do uniforme. Quando ouvi que havia ocorrido um parto no carro, já fui me preparando. A recém-nascida ainda estava com o cordão umbilical e a placenta não havia sido expulsa. Fizemos os primeiros atendimentos ali mesmo, dentro do carro”, descreve.
Segundo a médica, mãe e bebê foram avaliadas com atenção. “As equipes de enfermagem já estavam com todo o material pronto. Realizamos os procedimentos necessários e acompanhamos de perto. Felizmente, estava tudo bem.”
Para o pai, Rafael, a lembrança ainda mistura tensão e gratidão. “Na hora foi puro nervosismo. Mas quando chegamos ao hospital e vimos que estava tudo bem, veio um alívio enorme. Minha mãe foi essencial naquele momento.”
Diana nasceu com 39 semanas e seis dias de gestação. Mãe e filha receberam alta na segunda-feira (23) e passam bem.
Por Cris Oliveira – Jornalista | Blog da Cris
Especialista em política, políticas públicas, empreendedorismo e cobertura institucional.
